segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Agradecendo a quem?

Aproveito o pedido de alguns amigos e a recente organização das fotos de minha formatura, para postar o discurso que escrevi em agradecimento às formas de religiosidade e espiritualidade. Espero que agrade, irrite, incomode, mas, acima de tudo, que movimente os pensamentos e as ações daqueles que o lerem! Hasta luego



Agradecimento a Deus – Victor Miguel Castillo de Macedo
Prezados colegas, pais, professores e demais convidados, boa noite. Gostaria de iniciar esse agradecimento, com uma quebra de protocolo. Peço licença a todos vocês, para agradecer a todas as formas de espiritualidade e religiosidade com seus diferentes dogmas e doutrinas, incluindo neste conjunto a própria prática científica. Como me considero um católico apostólico latino-americano, não me sinto capaz de falar desde o ponto de vista de outros credos. É mais fácil compartilhar com vocês um pouco do que entendo por “Deus”.
Pode soar como uma demagogia cristã, mas é na diversidade de crenças que acredito que reside de fato o divino. Umbandistas, praticantes do candomblé, espíritas, harekrishnas, evangélicos, judeus entre muitos outros, como socialistas, anarquistas, liberais, e até mesmo os “temidos” ateus, fizeram parte desta nossa passagem pelo curso de Ciências Sociais. O que dizer dessa diversidade? De certa forma a santíssima trindade formada por Marx, Weber e Durkheim, uniu a todos nós. Apesar das instituições antigas, como aquela que gere meu credo, sofrerem sempre críticas ferozes, e na maioria das vezes justas, o que se deve agradecer aqui é o aprendizado do respeito.
Se em aulas de catequese eu aprendi na teoria que deveria “amar o próximo como a mim mesmo”, durante o curso este amor se fez verbo, mesmo que eu não quisesse. Não bastou afirmar o respeito, foi necessário conviver, dialogar e aprender com pessoas muito parecidas em tantas coisas, mas que na verdade tinham visões de mundo e histórias de vida completamente distintas. Em comum, tínhamos as provas, os trabalhos e o pátio da reitoria.
Pouco a pouco os conhecimentos e a sensatez, me fizeram entender que as disputas de poder dentro do complexo jogo da economia das trocas simbólicas, sempre me cobrariam uma posição enquanto alguém que assume um credo. Fosse esse credo uma religião ou uma filiação teórica.

E se devemos agradecer a Deus, neste momento, pelos anos de estudo, observação e experimentação das coisas do social, devemos também ser responsáveis com elas. Agradecer a Deus, é pedir que a Laicidade do Estado seja levada a sério, e da mesma forma que a liberdade religiosa seja exercida como um direito ao amor. Agradecer a Deus é entender que: quer queiramos ou não, Deus, ou qualquer outra categoria que designe essa mediação entre eventos objetivos e estruturas simbólicas subjetivas, volta e meia, estará lá para nos guardar. Volto ao começo deste agradecimento, e tomo a liberdade de desejar aos colegas, muita sorte de diversas formas diferentes! Axé, pra quem é de Axé, Saravá, para quem é de Saravá, Aleluia para quem é de Aleluia, Amém, Shalom e Namastê para todos vocês! Muito obrigado.

Um comentário:

Unknown disse...

Lindo discurso/mensagem Victor Castillo! Só faltou um AWERE no final junto aos demais cumprimentos, para cumprimentar a lingua indígena! Parabéns!!