Aproveito o pedido de alguns amigos e a recente organização das fotos de minha formatura, para postar o discurso que escrevi em agradecimento às formas de religiosidade e espiritualidade. Espero que agrade, irrite, incomode, mas, acima de tudo, que movimente os pensamentos e as ações daqueles que o lerem! Hasta luego
Agradecimento a Deus – Victor Miguel Castillo de Macedo
Prezados colegas,
pais, professores e demais convidados, boa noite. Gostaria de iniciar esse
agradecimento, com uma quebra de protocolo. Peço licença a todos vocês, para
agradecer a todas as formas de espiritualidade e religiosidade com seus
diferentes dogmas e doutrinas, incluindo neste conjunto a própria prática
científica. Como me considero um católico apostólico latino-americano, não me
sinto capaz de falar desde o ponto de vista de outros credos. É mais fácil
compartilhar com vocês um pouco do que entendo por “Deus”.
Pode soar como uma
demagogia cristã, mas é na diversidade de crenças que acredito que reside de
fato o divino. Umbandistas, praticantes do candomblé, espíritas, harekrishnas,
evangélicos, judeus entre muitos outros, como socialistas, anarquistas,
liberais, e até mesmo os “temidos” ateus, fizeram parte desta nossa passagem
pelo curso de Ciências Sociais. O que dizer dessa diversidade? De certa forma a
santíssima trindade formada por Marx, Weber e Durkheim, uniu a todos nós.
Apesar das instituições antigas, como aquela que gere meu credo, sofrerem
sempre críticas ferozes, e na maioria das vezes justas, o que se deve agradecer
aqui é o aprendizado do respeito.
Se em aulas de
catequese eu aprendi na teoria que deveria “amar o próximo como a mim mesmo”,
durante o curso este amor se fez verbo, mesmo que eu não quisesse. Não bastou
afirmar o respeito, foi necessário conviver, dialogar e aprender com pessoas
muito parecidas em tantas coisas, mas que na verdade tinham visões de mundo e
histórias de vida completamente distintas. Em comum, tínhamos as provas, os
trabalhos e o pátio da reitoria.
Pouco a pouco os
conhecimentos e a sensatez, me fizeram entender que as disputas de poder dentro
do complexo jogo da economia das trocas simbólicas, sempre me cobrariam uma
posição enquanto alguém que assume um credo. Fosse esse credo uma religião ou
uma filiação teórica.
E se devemos
agradecer a Deus, neste momento, pelos anos de estudo, observação e experimentação
das coisas do social, devemos também ser responsáveis com elas. Agradecer a
Deus, é pedir que a Laicidade do Estado seja levada a sério, e da mesma forma
que a liberdade religiosa seja exercida como um direito ao amor. Agradecer a
Deus é entender que: quer queiramos ou não, Deus, ou qualquer outra categoria
que designe essa mediação entre eventos objetivos e estruturas simbólicas
subjetivas, volta e meia, estará lá para nos guardar. Volto ao começo deste
agradecimento, e tomo a liberdade de desejar aos colegas, muita sorte de
diversas formas diferentes! Axé, pra quem é de Axé, Saravá, para quem é de
Saravá, Aleluia para quem é de Aleluia, Amém, Shalom e Namastê para todos
vocês! Muito obrigado.
Um comentário:
Lindo discurso/mensagem Victor Castillo! Só faltou um AWERE no final junto aos demais cumprimentos, para cumprimentar a lingua indígena! Parabéns!!
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