Quanto e o que vale uma farda?
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Lá estava eu após um jogo de futebol com alguns amigos, levando um colega pra casa. Minha namorada queria comer um cachorro quente, então paramos em uma barraca em uma rua bem movimentada, e por acaso havia uma vaga bem à frente da barraca. Quando parei ouvi alguns carros buzinarem, perguntei ainda para meu amigo se havia alguma coisa errada com o carro e ele negou. Ao sair do carro, um policial me aborda com a seguinte frase:"Você tem carteira de motorista?" e eu respondi "Sim. Porquê?", e aí ele explodiu " Você não tá vendo que o carro tá fora da linha??" e aí eu disse "Ah, não tinha visto..." e ele "Então vá arrumar!" e eu enfim arrumei o carro.
O olhar de ódio que aquele homem fardado me desferiu, me deixou extremamente nervoso na hora. Porque ele tinha de ser tão enfático na sua autoridade? O fato de eu estar de moletom (blusa e calça) e gorro tinha algo a ver com isso. E depois ele se afastou como se eu não tivesse tomado uma bronca de um sujeito que eu não conheço por um motivo ridículo. Imaginei que se eu fosse um favelado ou um mendigo, a coisa seria muito pior! Abuso de autoridade talvez? Polícia para quem precisa de polícia...
sábado, 22 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
O instinto coletivo e a cultura popular

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Tive a oportunidade de presenciar nesse fim de semana uma apresentação de Boi de Mamão, em Florianópolis, essa é uma dança popular da região litorânea de Santa Catarina, na qual se representa a morte e ressureição de um boi. O mais interessante, é que eu vi essa apresentação na Associação do Bairro Pantanal, no evento de Alusão a Abolição feita pelo grupo de capoeira Angola Palmares, logo após uma feijoada que foi servida no mesmo evento. Esses momentos foram muito interessantes pra mim (como sociólogo) pois me permitiram experimentar um espaço de diálogo intenso entre culturas populares.
De um lado a capoeira como a luta de escravos libertos e não-libertos (no filme "Besouro" está retratada a história de um dos maiores capoeiristas do Brasil, logo após a Lei Áurea ser sancionada), que depois foi chamada de dança para enganar aqueles que a consideravam um crime. E de outro o Boi-de-Mamão como a expressão das relações presentes no dia-a-dia, e no imaginário do sertanejo e que são também expressão da mescla cultural entre portugueses e indigenas(povos autóctones), uma vez que os animais tinham papeís importantes na encenação, e no entanto se sabe que essa idéia de encenar histórias era muito comum nas procissões portuguesas. Foi um belo fechamento para um fim de semana no qual os vários sambas que eu cantei e toquei tiveram um significado especial para mim (como sempre o têm) que é a forma de protestar e louvar memórias e culturas que se originaram dos contatos entre africanos, portugueses e indios. E é claro privilegiar aquelas culturas que se chama de mais "rústicas" e que na verdade são incompreensíveis a olhares ocidentais.
O Samba, a Capoeira e o Boi-de-Mamão são não só formas de expressão, como a expressão de diferentes formas de pensar, "alter paradigmas" ou paradigmas do outro, eu diria. São formas de resistência aos centros de poder, que produzem conhecimentos compartimentalizados e ao mesmo tempo individualizantes.
Gog - um poeta da periferia
Pra aqueles que só conhecem Racionais ou Sabotagem, um grande poeta, sonhador de pés no chão o qual eu realmente admiro e indico. É a cara do rap nacional com uma pegada mais madura.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Que a arte nos aponte uma resposta...
... mesmo que ela não saiba.
Inspirado por esse trecho de um poema de Ferreira Gullar, eu busquei o samba, forma de arte com a qual mais me indentifico, antes Cartola e agora, enquanto escrevo, Lupicínio Rodrigues. O que me mais me encanta nessas músicas é como coisas tristes podem ser tão bonitas. Músicas de um tempo onde os sentimentos criavam raízes nas pessoas, e essas raízes, laços profundos entre amantes. Laços que quando rompidos, geravam um estado de tristeza tão verdadeiro e profundo e ao mesmo tempo tão característico de uma música que tem sua origem nas senzalas, e a palavra saudade que marca todo um gênero musical. Não que eu esteja triste, mas como sempre em dúvida sobre as coisas da minha vida, e todavia tão certo do prazer que essa música me dá, e da identificação com o modo de vida que ela prega, que o que não faz sentido nunca, são as minhas origens. Um rapaz de classe média, uma bossa nova praticamente, se não fossem meus parentes dominicanos e porto-riquenhos, de classe média-baixa. Ritmos africanos que respiram no meu sangue batem junto com o meu coração.
Essa arte que me diz, canta a saudade dos tempos não vividos, mas canta também novos tempos numa esperança cristã, num paradigma alternativo.
Inspirado por esse trecho de um poema de Ferreira Gullar, eu busquei o samba, forma de arte com a qual mais me indentifico, antes Cartola e agora, enquanto escrevo, Lupicínio Rodrigues. O que me mais me encanta nessas músicas é como coisas tristes podem ser tão bonitas. Músicas de um tempo onde os sentimentos criavam raízes nas pessoas, e essas raízes, laços profundos entre amantes. Laços que quando rompidos, geravam um estado de tristeza tão verdadeiro e profundo e ao mesmo tempo tão característico de uma música que tem sua origem nas senzalas, e a palavra saudade que marca todo um gênero musical. Não que eu esteja triste, mas como sempre em dúvida sobre as coisas da minha vida, e todavia tão certo do prazer que essa música me dá, e da identificação com o modo de vida que ela prega, que o que não faz sentido nunca, são as minhas origens. Um rapaz de classe média, uma bossa nova praticamente, se não fossem meus parentes dominicanos e porto-riquenhos, de classe média-baixa. Ritmos africanos que respiram no meu sangue batem junto com o meu coração.
Essa arte que me diz, canta a saudade dos tempos não vividos, mas canta também novos tempos numa esperança cristã, num paradigma alternativo.
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