quarta-feira, 21 de abril de 2010

Outsiders

out of step

Ultimamente tenho pensado muito sobre o meu curso e o que eu e meus colegas temos em comum. Encontrei alguns aspectos interessantes e vou compartilhá-los com vocês.

No meu grupo de amigos mais próximos, a heterogeneidade é grande em termos ideológicos, um é extrema direita, um é comunista (não de esquerda), eu sou de esquerda, outro de direita, e por fim tem um que se considera “centro cagão”. O que diabos trouxe esse pessoal tão diferente, para um mesmo curso e os levou a se tornarem grandes amigos? Pensei muito e conversei até com alguns calouros e veteranos sobre como eles eram  em suas ocupações anteriores ao curso. Eu, por exemplo, apesar de ser um  sujeito muito coeso com a instituição onde eu estudava, já não suportava os diálogos e a maior parte das pessoas que estudavam comigo. Não era uma questão de briga, ou ódio, aparte de o Terceiro ano ser estressante pelo vestibular, eu não me sentia parte daquele grupo (como um todo). Portanto entrei no curso disfarçando minhas raízes pequeno-burguesas, com medo do que meus colegas fossem pensar ou dizer, e falar sobre religião então nem pensar…

Um calouro que tem origens parecidas com as minhas (colégio de classe média alta católico), parece que reproduziu as mesmas atitudes que eu quando conversávamos sobre quem e como ele era antes. Ele me contou também sobre a sua insatifação com o lugar de onde tinha vindo, e com as pessoas com as quais convivía. A sensação de estar deslocado com a sua realidade parece um fator comum a todos que entram no curso, estrangeiros em sua própria terra, falando uma língua que ninguém entende. 

Essa sensação nos acompanha o curso inteiro, ela faz parte do exercício da sociologia, desconfiar não só das respostas, mas principalmente das perguntas.  Quem fica, aprende que isso é um instrumento, quem sai do curso, ou não consegue viver com as interrogações, ou não se contenta com as poucas respostas e desacredita do social. E ainda tem aqueles que ficam, ignoram as perguntas e fazem pseudo-ciência.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Um banho na copa e nas olimpíadas

Quem tem acompanhado os jornais nos últimos dias deve ter visto (nem que seja por cima) o fato absurdo : Mais de 81 mortos pelos alagamentos no Rio de Janeiro...
Talvez piores são as declarações seguintes ao ocorrido, do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes, que ou culpam as "ocupações irregulares" (no caso de Cabral) ou descontam na situação anômala. E ainda pior é a partir desse fato, Cabral encontrar alguma justificativa para levantar muros em volta das favelas (quem sabe assim mata todo mundo de uma vez só, todos afogados). O problema, imagino que todos sabemos, está no planejamento urbano da cidade, que desde a revolta da vacina (provocada por medidas higienistas do governo da época), produziu uma expansão residencial horizontal para os morros. Expansão essa que ocorre e se multiplica até hoje. A primeira vista, poderíamos dizer que as ocupações irregulares são consequências de dois processos, o êxodo rural e a falta de preparo das autoridades para lidarem com o mesmo. Com que tipo de envergadura moral, os governantes de uma metrópole (que futuramente abrigará eventos como uma Copa do Mundo e uma Olimpíada) se dão o direito de cobrarem de cidadãos que vem de outros municípios, para buscar melhores condições de vida, o conhecimento sobre qual o melhor lugar para estes construírem suas casas?
Que tipo de governantes são esses, que privilegiam as construções de estádios ao invés de buscarem regularizar a situação dessa maioria que vive em aglomerados subnormais (favela na linguagem técnica)?
Quanto dinheiro está sendo gasto na publicidade para esses eventos?
Quem sai ganhando com a Copa?
São os cidadãos?
Sob quais condições?

É, essa chuva deu um banho na Copa... Deu até pra imaginar a sujeira de baixo de tudo isso.

Obs: Ouvir Suburbio - Chico Buarque
http://www.youtube.com/watch?v=RlHVo6LNKLg&feature=related

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Yo vengo ofrecer mi corazón (fito paez)

Música deste cantor do rock argentino, que foi interpretada entre outros, pela ainda mais importante Mercedes Sosa. Uma jóia poética, cheia de terra e sangue latinoamericano.

http://www.youtube.com/watch?v=AAQ9UkuHnko&feature=related

¿Quién dijo que todo está perdido?
yo vengo a ofrecer mi corazón,
tanta sangre que se llevó el río,
yo vengo a ofrecer mi corazón.

No será tan fácil, ya sé qué pasa,
no será tan simple como pensaba,
como abrir el pecho y sacar el alma,
una cuchillada del amor.

Luna de los pobres siempre abierta,
yo vengo a ofrecer mi corazón,
como un documento inalterable
yo vengo a ofrecer mi corazón.

Y uniré las puntas de un mismo lazo,
y me iré tranquilo, me iré despacio,
y te daré todo, y me darás algo,
algo que me alivie un poco más.

Cuando no haya nadie cerca o lejos,
yo vengo a ofrecer mi corazón.
cuando los satélites no alcancen,
yo vengo a ofrecer mi corazón.

Y hablo de países y de esperanzas,
hablo por la vida, hablo por la nada,
hablo de cambiar ésta, nuestra casa,
de cambiarla por cambiar, nomás.

¿Quién dijo que todo está perdido?
yo vengo a ofrecer mi corazón.

domingo, 4 de abril de 2010

A Ressureição

Mas o que diabos significa ressureição?

Talvez nem tanto a ver com diabos, mas a leitura de um bom dicionário (houaiss) nos traz uma boa idéia do que isso possa ser. Reerguer-se, reanimar-se, ressurgir, recomeçar por fim relevantar-se. Ultimamente é isso que me falta. Não que faltem significados na minha vida, mas a rotina me estressa e me consome a tal ponto que as poucas coisas que fazem sentido são os intervalos dos meus compromissos e das minhas responsabilidades. A primeira coisa que se deve perguntar a uma pessoa que resolva fazer ciências sociais, é como ela lida com crises de identidade, e segundo se ela se identifica com alguma coisa. O exercício de questionar aquilo que dá sentido à nossa vida nos faz maiores. Conviver com esse exercício é o maior desafio. Isso exige ressureições semanais, talvez por isso eu queria tanto viajar (ou talvez por isso que quando viajo quero esquecer de tudo). Tem muita gente que não dá muita importância para isso, e tem aqueles que nem notam isso acontecer, tem também os que não aguentam, e saem do curso sem saber exatamente porquê...
Vocês podem perceber que as minhas palavras se dirigem a um curso que é cheio de ateus, mas que pasmen, é cheio também de cristãos (fato digno de se estudado). Faço isso porque sou parte deste último grupo, e me surpreende que meus colegas tratem conceitos e apreensões sociológicas de maneira tão abstrata, como se esses não contivessem discursos políticos.
A minha ressureição diária se dá através de meus amigos e de minha namorada, mas principalmente, quando encontro sentido para compreender e produzir novas visões acerca do social é que encontro luz . Estudar o social é sim questionar dogmas e estruturas que nos são impostas de formas subliminares ou não, é principalmente o que fazemos com o conhecimento que dá o sentido último deste, independente de sermos ateus, cristãos ou muçulmanos. Salve o renovar de esperanças...