quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Os Brothers


Em sentido horário: Javi (de rosa), Emílio com o copo, Fernando, Eu, Rafa (agrônomo), Glauber, Nati, e Liana.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A "coisa" do intercâmbio

"Every understanding of another culture is an experiment to one's own" Roy Wagner



Estive pensando um pouco sobre o que significa estar aqui e sobre experiências que foram parecidas com o que tenho passado por aqui. Isso principalmente me faz pensar nos vários acampamentos da pastoral juvenil que eu participei até esse ano. A sensação de muita expectativa para saber com quem eu iria dividir as horas seguintes e como iria me relacionar com essas pessoas.

A "coisa" desse tipo de intercâmbio que eu e meus colegas experimentamos é ainda mais interessante porque não só mexe com os nossos costumes caseiros, mas mexe também com coisas da nossa cultura. Essas coisas, seriam habitos, linguagens e formas de se relacionar que fazem parte dos lugares de onde viemos. Dentro de casa convivemos com os vários "brasis", do sul, sudeste ou centro do país. Temos ainda um mexicano (o nosso querido Javi) que talvez esteja tendo uma experiência mais interessante.

Quando saímos de casa é uma Argentina inteira com a qual nos deparamos, pra quem pensa que os hermanos se resumem aos mulets e ao falar semelhante ao dos italianos se engana muito. Só no norte existem pelo menos, mais de dois tipos de etnias. Lidamos com a falta de feijão, a pouca e cara variedade de frutas e verduras, com jeitos de falar espanhol distintos e até gostos musicais que não fazem o menor sentido pra nós. Diferente das outras experiências de convívio que tive até aqui, temos que pensar todos os dias o que vamos comer, como e quando. Temos que abrir mão de algumas frescuras e outros exageros para que todos comam e fiquem bem.

Passando por isso, fica mais ou menos claro porque as imunidades baixam quando estamos fora de casa. Ao mesmo tempo tudo isso faz pensar como é importante entrar em contato com outras culturas, e de vez em quando abraçar desconhecidos, como se fossem seus melhores amigos por compartilharem de mínimas coisas em comum. Talvez o fato de sermos humanos seja o suficiente.
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Tomamos hoje a primeira bronca oficial por causa das festas, e pretendemos dar uma segurada mesmo. Ontem comemos no almoço um feijãozinho que revigorou todo mundo. E a viagem do fim de semana ficou para a outra semana por incompatibilidade de horários. Vamos no sábado à feira de Simoca, que parece ser bem interessante.

Saudações Tucumanas

sábado, 21 de agosto de 2010

Segundas impressões e a nova rotina


Salve! Salve!

Caros, tardo mas não falho. Estive com muitas coisas para fazer, e acabei não tendo tempo para postar aqui.
Terminei o relatório da pesquisa sobre os estudos africanos e agora posso me concentrar mais nas tarefas tucumanas. Escrevo desde um café, que é também uma biblioteca e onde ocorrem shows de tango. Um lugar muito interessante, neste momento estão tocando canções à la Mercedes Sosa, com uma pegada meio indígena.

Tenho muito o que contar então serei sistemático e começarei com as mudanças que ocorreram na casa.

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No outro post disse que estávamos em dúvida se íamos ficar na casa ou não, pois agora já não há mais dúvidas, ficaremos no departamiento de la 9 de julio, 280, 10o piso. A casa agora está cheia, antes estavam somente eu, a Natália e o Fernandão. A Liana, que faz jornalismo na UFSM chegou no último fim de semana. O Emílio, de Minas Gerais , estuda engenharia química na USP, e o Javier (vulgo Javi) que veio do México e faz Odonto aqui. Essa foi a primeira "leva" que já mudou a rotina da casa. As festas foram aumentando e o pessoal que tava na outra casa de brasileiros que está na rua Sarmiento, também chegaram nessa semana. A coisa já tava boa antes, depois que eles chegaram ficou ótima.

As festas aqui começam as duas da manhã, e acabam, pasmem, às 4! Sim muito estranho. Mas fazer o que né! hehe

Na segunda leva de brazucas da casa, chegaram os temperos que faltavam pra coisa ficar muy linda (como diriam os assistentes da Secretaria de Relações Internacionais). Glauber (não o Rocha) estudante de cinema da USP, protagonizou o primeiro aniversário da casa, e trouxe seu violão pra engrossar o caldo musical. Depois chegou o Rafa, o aventureiro (ou sem noção) que estava vindo desde Salta (que é o outro estado do norte argentino) em bicicleta com mais dois amigos, e chegou com histórias malucas e a bela expressão "coisa rica"que pretendo integrar ao meu vocabulário, pela boa vibração que traz. (??) hehe

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Assim como a casa foi se enchendo tive as primeiras aulas durante essa semana. Irei fazer duas matérias (já que parece que aqui o bixo pega em termos de carga de leitura), uma se chama História Latinoamericana 2 (período das independências) e a outra, Sociedades, território e dinâmicas culturais andinas. A segunda matéria só começará amanhã, mas a outra me pareceu muito boa, a professora Gabriela Tío Vallejo se mostrou muito solícita e disposta a me ajudar em qualquer coisa.

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Desde que cheguei aqui fizemos muitas festas e tal, mas tem algumas coisas em Tucumán que podem assustar qualquer ser humano. A quantidade de pedintes e crianças em condições subhumanas é altíssima, e da forma como vejo acaba sendo uma marca registrada do capitalismo, tanto em países periféricos como em países dos centros de poder. Nenhum sistema poderia ter elevado tanto a qualidade de vida de poucos e ter retirado as mínimas condições de dignidade de tantos, como o sistema capitalista. E assim nós vamos nos acostumando a conviver com a maravilha e o absurdo ao mesmo tempo.

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A saudade dos meus amigos e das pessoas que eu amo, talvez não seja tão evidente para quem me conheceu aqui. Mas em cada história contada, cada gesto e cada coisa que faço, levo um pouco dessas pessoas e levarei comigo um pouco dos meus 7 companheiros.

No próximo fim de semana faremos a primeira viagem juntos, vamos ver como saem as coisas. Imagino, pela primeira impressão que será tudo muito tranquilo.

Obs.: Na foto, a vista do pôr-do-sol meu apartamento.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

De Córdoba a Tucumán

Caros Amigos e leitores

Esse e os posts seguintes serão histórias que vivi e coisas que aconteceram comigo durante o meu intercâmbio. Ou seja ainda estão acontecendo...
Escrevo de um café próximo ao meu apartamento, no centro da cidade de San Miguel de Tucumán, é o meu segundo dia aqui. A cidade apesar de ser pequena (em relação a cidade onde nasci, Curitiba) é muito movimentada. Já faz uns quatro dias que eu estou na Argentina, passei um fim de semana em uma das maiores cidades do país que se chama Córdoba. Essa é uma bela cidade, lá fiquei na casa da Marisa, uma amiga da minha mãe muito gente fina (e fina tbm). Junto com ela estavam as suas duas filhas (Denise a mais velha, e Pilar), duas meninas muito queridas, principalmente a mais nova! Além delas havia uma holandesa chamada Samantha que era bem parceira.
Cheguei de madrugada então fui direto pra cama , pois estava exausto. Quando acordei (ao meio dia) fomos tomar café da manhã na cozinha (eu e as meninas). O café na Argentina é em alguns pontos diferentes do Brasil, além do café que é mais fraco (mas da pra aguentar), eles comem uns crossaints melados que chamam de media lunas , ou meia-luas heheh. Que é exatamente o que estou comendo agora.
Bom lá em Córdoba fui a alguns lugares e praças, e pela noite saimos (eu, a holandesa, uma amiga dela e uma americana que estava fazendo intercâmbio). Qualquer mente um pouco mais maliciosa, vai pensar que eu adorei a noite ao lado das minhas companheiras anglo-saxãs! E devo admitir a noite não foi ruim, mas aquelas meninas eram muito estranhas! Fora a Samantha, que estava fazendo um curso de espanhol e estava no último nível, as outras duas realmente eram muito estranhas (mais para zagueiros da seleção sub-17 de seus países). Mas ainda sim pude rir muito naquela noite, por alguns motivos óbvios. Se em Cambouriú, a presença mínima de mulets ( a parte da nuca onde findam os cabelos masculinos), nos causa qualquer estranhamento, na balada (ou boliche) cordobeza, a coisa é motivo de histeria interna, já que eu era minoria né!
Enfim as argentinas apesar de estranhas, não deixam de ter o seu charme. A melhor hora da noite, foi quando um baixinho que bailava o reggaeton, se encostou na amiga da Samantha, um loirão maior que eu, e começou a rebolar. A cena foi de arrancar o cabelo.

Sim foi uma bela estadia em Córdoba, principalmente pela Pili (Pilar), uma gracinha de menina, que eu poderia chamar de muy amable, outra experiência interessante é o assado ou churrasco argentino, que é quase a mesma coisa que o nosso...

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Depois de uma viagem de quase 10 horas de ônibus, cheguei em San Miguel, fui ajudado e recepcionado pela minha amiga Rocio, que no semestre passado estava em Curitiba fazendo intercâmbio. Eu disse ajudado pois levava uma mala de 32 quilos, outra de 15, e além disso o meu violão e uma mochila bem pesada. Saímos da Rodoviária, que é junto com um shopping e fomos até a rua para pedir um taxi. Chegamos ao prédio onde estávam os colegas que iriam dormir comigo tentamos tocar o interfone uma vez e ninguém respondeu, na segunda tentativa atendeu a Natália (que faz enfermagem na Ufscar) . Subimos e eu a conheci pessoalmente, junto com Fernando ( da economia da Unesp).
A situação do apê (como eu já disse aos meus colegas) lembra aquela música-poema que Vinícius muito habilmente fez, "Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada..." O que quero dizer é que realmente a sala do apartamento era só poeira, com uma mesa de plástico, mais empoeirada ainda, e um colchão de sofá. A Rocio ficou abismada na mesma hora. E como a Natália e o Fernando estavam indo reclamar com o pessoal da Universidade bem na hora que eu tinha chego, então resolvi ir junto e levar a Rocio, já que ela era daqui e já tinha feito o intercâmbio. Depois de muita conversa, além de fazermos nossos registros, fizemos uma lista de coisas que eles deveriam providênciar, até porque a Natália já estava muito nervosa com a situação (o apê não tinha calefação nem aquecedores, além disso só possuia alguns jogos de cama incompletos...futuramente ele irá receber 8 pessoas). Agora no apartamento, estamos nós, eu , a Natália e o Fernando, e mais dois alunos que são de outro programa, Gabriel (arquitetura Ufmg) e Daniela (boliviana, que tá fazendo medicina).

Talvez, a primeira grande lição é que não é fácil entrar em furadas desse nível, principalmente quando você não conhece bem as pessoas que estão junto. Tenho tentado (como costumo fazer) criar um clima mais tranquilo na casa, já comprei umas cervejas e vinho, e descobri que o Fernando sabe tocar violão e pandeiro assim como eu, dividimos além do quarto as mesmas visões ideológicas, o que facilita muito a convivência . Hoje soubemos que eles querem nos levar para outro apartamento, ou casa, que fica bem mais longe da universidade do que essa....

Fiquem atentos para os próximos capítulos da novela Perdidos em Tucumán...

Obs.: A inspiração para escrever essas experiências nessa forma vem dos emails que recebi de um amigo que fez um mestrado na Italia, e deveras me divertiu e fez da saudade (presença constante) uma coisa não tão pesada quanto costuma ser. Devo dizer que apesar dessas dificuldades, a cidade me parece muito simpática e as pessoas muito interessantes. Uma das matérias que farei aqui será História da América Latina (período das independências). Já diria uma música da banda H2O : no one said it was gonna be easy, I`m not afraid to try...

Saudações Tucumanas!