terça-feira, 21 de abril de 2009

"Cartas do Inferno "


Para os que não acreditam, é tudo uma grande mentira, ou é tudo uma brincadeira de mau gosto, da qual se ri para deslegitimar de forma sistemática. Eu prefiro crer.


Pensando então na Astrologia como uma ciência dotada de significados, que para mim pelo menos, fazem muito sentido, vejo hoje o fim de um período chamado o Inferno Astral do meu signo. Chama-se Inferno astral , por ser um período não muito fértil(no sentido de projetos pessoais e afins) , mais voltado para a reflexão do que se tem feito na sua vida.


Estive, portanto, refletindo muito sobre a vida e a morte, e os significados que eu atribuo a essas duas coisas . Muito próximo de completar 20 "outonos" a minha vida não está nem perto de ter atingido sua plenitude, com algumas alegrias e uns quase arrependimentos, me sinto apto somente a saber quem é realmente meu amigo. O que já é algo para uma vida inteira. Quanto a morte, não é algo que me faz muito sentido, e que se aproximou de mim nos momentos mais decisivos da minha vida. E apesar de muito religioso, entendo que várias pessoas procuram as religiões para dar um sentido a morte, enquanto que para mim essas nos permitem dar sentido à vida.

Hoje em dia opto por crer naquilo que me constitui como sujeito histórico, social e cultural do meu tempo.

Creio num Deus que não é nem lei, nem doutrina e tampouco qualquer outro tipo de agregação sintático-semântico-fonética. Creio num Deus que é vida, em abundância e dignidade para tudo e para todos. Independente de qualquer que seja a minha Igreja.


Eu sou um samba sobre a vida chegando no refrão. Daqueles sambas que a cada verso, agradece a misteriosa harmonia da vida.


Fica a indicação para aqueles que gostam de bons filmes: "Mar Adentro ", filme que inspirou o título deste post.

Fica o agradecimento àqueles que creêm no possível e no impossível.
*Na foto eu (camisa do Brasil) e meu querido Nonno, que já não está mais entre nós.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sobre Cristo

Tomo a liberdade hoje de fazer uma tradução livre de uma música que faz parte das reflexões do dia. O dia da morte de Cristo.



Fazer ou Morrer ( Do or Die) de Jason Castillo



Eu matei o Filho de Deus hoje.
Eu construí a cruz onde ele foi pregado.
Meus pecados, as mãos que seguraram o martelo, que levaram os pregos por sua pele.
Um dia vencerei.

Eu quero recompensar, quero morrer por Você.
Me faz entristecer, quando eu penso tudo que Você passou.
Eu devo meu todo por Você.

Pois quando ficou entre fazer ou morrer, Você morreu por mim. Pensei que não seria nada perfeito, para os olhos humanos.

Minhas mãos são suas para o trabalho.
Meus olhos vão procurar até que eu ache Você.
Minhas pernas vão caminhar pelo mundo, até que Você me diga que meu trabalho foi o suficiente.

Eu quero recompensar, quero morrer por Você.
Você é o que eu amo.
E eu devo meu todo a Você.

Eu conheci o Filho de Deus hoje. Ele disse : " Eu te perdoo por minha dor. "
Ele tirou meu pecado , as mãos que seguravam o martelo, que levaram o pregos por sua pele.
Ele disse que eu venci.

Eu estou em uma nova criação através de Você,
Criada por Você e para Você.
Então me faça valer por um momento, me faça útil.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Poesia Muita é sempre pouca.


Fica aqui um trecho do poema de Àlvaro de Campos ( Fernando Pessoa) para quem não conhece, ou para quem já gosta.
Fica meu agradecimento à outro poeta que traduziu sem que eu soubesse, e antes de eu ter nascido, muitos dos meus sentimentos em palavras...

"Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio?
Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas-
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim?
Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido."

Dedicado à todos aqueles que vivem se "achando".