quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O Natal é foda

Liga a seta para a direita e vira para buscar seu pai que está na esquina. Este, assim que entra, dispara uma série de informações que não lhe interessavam, queria ouvir a música que tocava. Em meio a tantas palavras sem sentido para ele naquele momento ele ouve o Chico cantar:"Lá tem Jesus, está de costas."

Segue pela rua e passa em frente ao mercado municipal, na esquina (da rua que está lotada), vê uma mulher chamando o filho de um carrinheiro e ao dar uma moeda de um real para ele,e o deseja um "feliz natal".O carrinheiro então chama o filho para continuar a caminhada com ele, e no momento em que este está passando na frente do carro (ainda na mesma esquina) passa um senhor com seu possível neto num carrinho de bebê. O olhar de um dos filhos dos carrinheiros para o carrinho de bebê é acompanhado da suave voz do Chico afirmando: "É fogo, é foda..."

É Chico, de fato é foda. O natal é foda, aonde muitos ficam atentos às sobras, outros ficam atentos às ofertas. No dia anterior ele havia ainda passado a tarde no shopping observando as incongruências de um "formigueiro consumista", que de certa forma só lembra o formigueiro pela transpassagem constante de seres de um lado ao outro.
Papai Noel? Assis Valente compôs a música que questiona o bom velhinho de forma inteligente: "Vê se você tem, a felicidade pra você me dar... Com certeza já morreu, ou então felicidade é brinquedo que não tem."

E nesse caso a palavra "tem" assume o seu uso muito comum do português. Ter= Existir. Com certeza esse é o sentido que há muito tempo o natal possui. Foi ao ouvir essa música, ontem, num bar onde ela era tocada na forma de samba, que ele pensou que as coisas já estavam muito erradas a muito tempo. A celebração cristã da vida, e da família, se tornou uma forma (a mais bem estruturada delas talvez) de vender e aglomerar as pessoas para o consumo. Natal significa compras e uma reunião de família com conversas entediantes. Ele sabe também que existem pessoas que não encaram o natal assim (ele mesmo não pensa dessa forma), só que é a grande maioria que pensa que o preocupa. É pensando naquele carrinheiro e seus filhos que ele lembra que o primeiro natal (o nascimento de cristo na manjedoura) não deve ter sido tão diferente de como talvez será o natal deles, em termos de estrutura material.
E pensando também que se tem gente que ganha dinheiro por lembrar o sentido do natal, que ele entende que este perdeu muito (se não todo) o seu sentido original.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

La ruta natural

Redação feita a quatro mãos, para o curso de español, sobre o curta-metragem "La ruta natural" Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=JtykW5VtUWs

Entre outras coisas o filme fala sobre a vida e a morte, e o quê afinal fica para as futuras gerações. Indico como uma bela ilustração pré-leitura.

Obs: Para quem gosta de palindromos, preste a atenção ao nome do filme e busque a relação com o próprio.

***

Sabemos que todo pasa, pero es difícil aceptarlo. La muerte, por ejemplo, es quizás el mayor de los problemas que enfrentamos en este sentido. Así como nuestra vida comienza en un punto, debe terminar en otro. Pero todos tememos este último.Lo que nos invita a pensar la película es que es indiferente cuál es la forma como desparecemos de este mundo. Si caminamos hacia la muerte o, al revés, hacia el nacimiento, el sentimiento de pérdida estará igualmente presente al final. Lo que siente David o Divad cuando se acerca momento crucial, sea la muerte o el nacimiento, es lo mismo - la inexorabilidad de que las cosas se van, incluso la vida. Lo que significa que lo más importante, en este caso, no son las pérdidas en sí mismas, sino sus efectos, o los sentimientos que causan.
El significado de las cosas materiales es, por tanto, muy variable. Se ve por lo que ocurre con la basura y el dinero en la película, que cambian de significado de acuerdo con el sentido de lo que vemos sobre la vida de Divad. En su historia, la basura le fornece todo lo que necesita, mientras que en la vuelta el dinero no vale nada. Por tanto, hace con él cambios ilógicos en su vida al revés. O sea, que a Divad no le gusta el dinero.
La forma como pasan estas cosas por su vida cambia su significado y la manera como se desarolla. Incluso la muerte posee otro significado si vivenciada al revés. Pero el significado de su desaparecimiento y el de las cosas que ama, esto no cambia. Entonces le queda solamente la memoria de las cosas que han pasado, la cual también dejará de ser cuando se le olvide.
Cuanto a eso nos dice el poeta William Shakespeare : "The evil that men do, lives on; the good is oft interred with their bones."

Benno Alves e Victor Miguel

domingo, 15 de novembro de 2009

Sociedade

De Eddie Vedder
* Tradução do Vagalume (site), o nome original "Society", uma bela música. Faz parte da trilha sonora do filme Na natureza selvagem (Into the Wild).

É um mistério para mim
Nós temos uma ambição sobre a qual nós concordamos.
Você pensa que tem que ter mais do que precisa.
Até você ter isso tudo,
Você não estará livre.

Sociedade, sua raça louca.
Espero que você não fique só sem mim.

Quando você quer mais do que possui.
Você pensa que precisa.
E quando pensa mais do que quer.
Seus pensamentos começam a sangrar.
Acho que preciso encontrar um lugar maior.
Pois quando você tem do que pensa.
Precisa de mais espaço.

Sociedade, essa raça louca.
Espero que você não esteja só sem mim.
Sociedade, realmente loucos.
Espero que você não esteja só sem mim

Existe esses que mais ou menos pensam, menos é mais
Mas se menos é mais, como você pode continuar potuando?
Significa que a cada ponto que você marca, sua pontuação cai
Meio que parece estar começando do topo
Você não pode fazer isso...

Sociedade, essa raça louca.
Espero que você não esteja só sem mim.
Sociedade, realmente loucos.
Espero que você não esteja só sem mim
Sociedade, tenha pena de mim
Espero que não fica com raiva, se eu não concordar...
Sociedade, realmente loucos.
Espero que você não esteja só sem mim

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

As rejeições religiosas e o mundo

Durante a tarde de hoje estive lendo um texto chamado "As rejeições religiosas do mundo" escrito por um dos pais da sociologia, Max Weber. Dentro das muitas discussões abordadas pelo autor uma em particular me chamou muito a atenção, a relação entre a religião e a esfera da política.No debate produzido pelo autor, que foi muito mais filosófico que sociológico muitas questões foram abordadas, e eu penso que uma das mais interessantes é em relação aos (d)efeitos que a moral religiosa pode trazer para o meio político.
Em vez de gastar palavras com o que já se sabe (ou não, para alguns) sobre o papel da Igreja católica na colonização e exploração das culturas africanas e latino-americanas, ou discorrer, como já fez Weber sobre como a moral protestante foi essencial para o estabelecimento do capitalismo como sistema econômico. Eu gostaria, ao invez disso de falar como a nossa querida imprensa fez uma literal "tempestade em copo d'água", depois do Lula ter falado que se Jesus fosse presidente no lugar dele faria aliança com Judas. Uma mera metáfora.
Dessa situação eu tiro dois comentários.

Como (futuro) cientista social, noto que nosso presidente (que não é santo mas não é pilantra), tem, ao contrário do que se diz, muito conhecimento do sistema político brasileiro, que não por acaso leva o nome de Presidencialismo de coalisão. O que significa que, se o presidente que é eleito não tiver uma boa base nas casas legislativas federais, terá enormes dificuldades para governar. Não obstante, teria de se aliar a alguns Judas para desenvolver seus projetos. Até aqui normal, algo feito por todos presidentes até então eleitos (exceto pelo Collor).

Ou como Cristão católico que sou, e muito humildemente me afirmo assim, discordaria das colocações de Dom Dimas (secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB), quando fala que Cristo não faria "alianças com fariseus". Não só o faria como o fez. Jesus chamou Judas para ser seu apóstolo, e sabia que ele o trairia. E ainda o perdoou pela traição antes de morrer. Na passagem que se encontra em Lucas,19,1-10, se conta uma outra situação em que Jesus acolhe Zaqueu (um cobrador de impostos) para o Reino dos Céus. Queira ou não queira, Dom Dimas, Jesus fez uma aliança com toda a humanidade(principalmente os fariseus de sua época) , e isso até Weber sabia, pois critica o sentido de universalidade do cristianismo.

Voltemos então a questão inicial. Nesse caso em específico a política sofreu pela apropriação da moral cristã pela mídia. Uma crítica contundente ao comentário, seria que talvez essa provável situação (Jesus presidente) não justificasse um descaso com as linhas ideológicas (ou retóricas) de cada partido, ou que esse exemplo simplesmente não convém (Lula não é Jesus! ). O que veio em seguida foi uma série de comentários desnecessários e despolitizados de um bispo, que pelo visto não sabe muito sobre o sistema político brasileiro...
A pergunta então é: Com que moral Dom Dimas está falando da política?

Obs: Atenção para o sentido da moral nesse caso.

domingo, 18 de outubro de 2009

Pequeno-burguesismos parte 2

Muito atento, já sabia alguns nomes, mas não sabia exatamente distingüir um artista de outro. Jazz era uma das músicas essenciais para se entender o rock que ele tanto gostava. Enfim escolheu e viu que tinha feito uma boa escolha, pelo preço do cd e pelas poucas músicas que ouviu alí na hora.
Já a caminho de pagar o estacionamento do shopping, lembrou do fim de semana que passaría no assentamento do MST, sem ter de se preocupar quanto iria gastar para estacionar, com a balada de sábado ou com o seu cartão de crédito. Lembra que tudo isso não estaria acontecendo se ele e seu amigo tivessem se organizado melhor, "deixe quieto", ele pensa.

O termo "radical", vem de raiz , de algo que é profundo ou aprofundado até as suas origens. Pensar as coisas radicalmente é ir ao princípio que gerou tal ou qual problema. Pensava eu que deveria ir até o assentamento para discorrer sobre minhas pequeno-burguesisses entre os trabalhadores rurais sem terra. Mas a verdade é que o fato de eu nem chegar a ter ido ilustra muita coisa. A pequena-burguesia, essas pessoas meio ricas, meio cultas e completamente acomodadas, podem ser caracterizadas essencialmente pela expressão "deixe quieto".
Isso não significa, é claro, que as pessoas devem sair por aí resolvendo todos seus problemas até não tiverem mais energia para nada. A verdade é que não sabemos dialogar. Não sabemos e nem queremos.
Porque é o mais cômodo.
Talvez as grandes lutas por igualdade e liberdade, sejam na verdade, um emaranhado de pequenos diálogos, claros e sinceros.
Mais que a comodidade, a pequena burguesia é dotada de orgulhos-bestas.

Saudações aos diálogos radicais

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Pequeno-Burguesismos parte 1

Decidi. Vou colocar algumas coisas que ficaram por serem ditas do mês de setembro que de certa forma estão acontecendo ainda. Por isso um post em partes (também pela correria que tá a minha vida).

Setembro chuvoso. Sim Cê tem bruchov! (piadinha de mal gosto)

Mal gosto ou não esse fato acabou atrapalhando as atividades dedicadas ao mês dos transportes alternativos (leia-se bicicleta). E eu como um usuário destes me senti prejudicado em alguns dias desse mês. Enfim tantas lutas por uma vida melhor (para todos) e eu participo desta também. Só que a chuva sem querer colocou algumas interrogações na minha cabeça. E essas começaram a querer sair num dia bem chuvoso, mais especificamente dia 22 de setembro, também conhecido como o dia sem carro.
Foi um dia chuvoso como outro qualquer, deixei minha bike em casa e fui a pé pra aula e pro trabalho. Graças ao convite do meu grande amigo Artur, depois do trabalho fui ainda numa palestra de um teórico marxista... No caminho da palestra passei pela reitoria (ainda debaixo de chuva) e vi a concentração daqueles que estavam na marcha das bicicletas. Enquanto atravessava aquele mar de bicicletas, me perguntava, "será que esse pessoal não tem o que fazer? " e ao mesmo tempo me admirava a variedade de modelos de bicicletas e ciclistas, alguns dignos de menção: O esportista(que vê tudo aquilo como um treino divertido), o alternativo 1 (que não é tão alternativo, mas acha que tá contribuindo para evitar o efeito estufa, usa a bike como desculpa pois se pudesse teria um carro), o alternativo 2 (esse já está convicto da causa, é anarquista, anti-capitalista e contra todo tipo de preconceito, sua bike é equipada com bagageiro, amortecedor e cambio gringos) e o tipo estranho (que faz pairar uma duvida, quem é mais estranho a bike ou o dono?) .
Obviamente não eram todos que estavam ali que seguiam esses "modelos", eu mesmo se a chuva não estivesse caindo naquele momento, participaria numa boa da bicicletada. É uma reinvidicação legítima da minha classe social, um claro pequeno-burguesismo. Assim como o é ( e eu me coloco a disposição de ouvir quem quiser me provar o contrário) a ideologia anarquista. Muitos levam a sério a discussão das bicicletas e eu considero isso importante, porém mais importante ainda é levar a sério a questão da qualidade de vida dos "servos/escravos/proletários" do nosso dia-a-dia. O que me preocupa é a indolência na hora de resolver os problemas de quem tem menos formação e representação para a/na política. Talvez se a cada carro a menos na cidade nós tivéssemos mais pessoas da sociedade civil envolvidas na garantia dos direitos básicos em plenitude para todos, talvez não teríamos de saber que vidas estão tendo seu valor medido pelo calibre de uma bala. Eaí meus queridos, mediríamos a força e a abrangência do movimento das bicicletas, pelo número de chacinas que este evitaría.

sábado, 26 de setembro de 2009

O João

E depois de muito tempo Ele se lembra que tem que escrever, corresponder, e tornar público aquilo que lhe pertence, se perguntando ao mesmo tempo, o que significa o pertencimento?

Se fossem coisas, os sentimentos viriam com o preço. Pensa e escreve. Lembra do amigo (falando em sentimento), que se foi, lembra do que foi e não foi dito. Pensa então, no João.
As coisas não acontecem por acaso, e com certeza esse não foi um acaso. O João, Joãozinho, o Jonas Carlos. Na época em que se conheceram Ele ainda estava aprendendo a lidar com as mulheres (meninas na época), mas o João já sabia disso há muito tempo. Mestre desde pequeno no falar e no argumentar, quando não articulava partia pro debate físico, também conhecido como briga. Tudo de bom e de ruim João o ensinou, algumas palavras pras meninas, algumas tragadas em becos e esquinas, mas sempre rindo e sempre lhe fazendo se sentir melhor.
Não só melhor, mas o melhor amigo. De fato, de todas as pessoas que Ele conheceu esse era o melhor amigo que se pode ter. O João lhe deu um dos melhores presentes que alguém pode dar, a auto confiança, que mesmo dada ainda teve que passar por muitas provas. O João nunca torceu pro mesmo time que o Dele mas mesmo assim Ele torcia para o João em todas as confusões em que ele se metia. Pensava que aquela amizade lhe bastava, cerveja , cigarro, mulheres, que mais poderia querer? Ele queria ser o vice-presidente, queria que o João fosse seu presidente.

Eis que então surge ela. A menina que para sempre ia ter o amor de seu amigo. O João mudou, mudou por ela. E Aquele que era seu melhor amigo, e com ele tinha muito aprendido, passou a trilhar seus próprios caminhos. Mas o João nunca perdeu seu posto de melhor amigo, só passou a dividi-lo com outros.
Hoje, depois de muito tempo, o João está longe, e mesmo que Ele grite ele não vai escutar. Mas se pudesse fazê-lo ouvir gritaria: -João! Você não imagina a falta que me faz e sempre me fez! Como você não há outro igual! Que seja capaz de enxergar o que há de melhor nas pessoas e sorrir como só você sorri! Eu te amo meu irmão!

...

Já não há mais ela, e o João está na Austrália.
E Ele, que já partilhou o sentimento que lhe pertencia, pensa, que só por ter conhecido o João já valeu a pena ter vivido.

Obs: Fica aqui um abraço bem forte, pra esse meu grande amigo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

à gosto dos josés

As férias teriam sido muito bem terminadas se não houvesse a suspensão das aulas por causa da gripe suína, assunto tão confuso que só posso dizer que tem me irritado um pouco.
Ainda assim, vejo que alguns assuntos estão sendo de certa forma negligenciados pela nossa (não muito) estimada mídia.

Para quem não sabe o presidente do nosso senado (quase um rei nas nossas bandas), José Sarney, também já foi presidente do Brasil e deputado pelos partidos ARENA, e PDS antes de fazer parte do partido em que está hoje (PMDB).Só para ilustrar um pouco o caos ideológico descrito acima, a ARENA era o partido que durante a ditadura apoiava a oligarquia militar. PDS é a legenda que representou os mesmos que estavam ARENA quando a ditadura acabou. O oposto da ARENA era o MDB que se tornou PMDB. Ele foi o primeiro presidente (eleito por colégio eleitoral) da democracia atual. Essa é a terceira vez que ele é presidente do senado ( a primeira foi durante a gestão do FHC e a segunda no primeiro mandato do Lula). Os que faziam parte do antigo PDS, hoje estão no partido chamado de DEMOCRATAS, que cá entre nós, são qualquer coisa menos democráticos.
José Sarney como um dos grandes coronéis da nossa sociedade, escolhe e coloca ao seu gosto os seus familiares em cada cargo que pode.
Faz isso por meio de atos secretos, ou fez pelo menos. Para mim quase não há dúvidas que esse senhor não há de sair tão facil dos cargos de representação política dos quais faz parte.

Ele e muitos outros estão aí faz tempo, e faz tempo que não estão nem aí. É bom saber em quem se está votando. Caráter é uma coisa que se mede pelo tempo, e não se encontra muito facilmente em meios políticos.
A gripe suína é sazonal, já os aspectos podres da nossa política nem tanto.Quem sabe (e eu assim penso) a primeira não mate tantas pessoas quanto a segunda. Tá aí mais uma hipótese para a ciência política.

sábado, 1 de agosto de 2009

A arte de viver da fé...


Nesses últimos dias estive fazendo uma das mais importantes viagens da minha vida. Não pela necesidade de conhecer mas pelas coisas que fazem parte da minha vida. Tantos lugares já conhecidos no mundo, e só agora me rendi e superei aquela descuriosidade e medo que me afetava, e enfim conheci o Rio de Janeiro.


Tantos lugares, tantas pessoas para ir comigo, e não poderia ter sido melhor. Um lugar, um simbolo, uma marca e várias culturas. Para mim, o sol, o mar, o samba, as morenas, o congresso no momento certo culminaram a inevitabilidade de todos momentos vividos. Abrigado numa casa de malucos, gringos, artistas, malandros e sociólogos talvez sejam muitas as reflexões que essa viagem me permitirá fazer.


Numa cidade que é puro contraste, desde a beleza de sua paisagem natural com evidentes focos de podridão urbana até as batidas de funk num contratempo de samba. A verdadeira "Novidade" paralameada. Foram cinco dias de sambas e chopps brama. Não cheguei a conhecer nem metade dos passeios turísticos, já que dividido entre batucadas e discussões sociológicas a beira da praia.


A viagem salvou muito do que seria um recesso numa cidade fria e desengonçada como Curitiba. Mais do que isso, conhecer pessoas novas e ao mesmo tempo incríveis (pessoal da Unesp e Ufscar) foi essencial para chegar a conclusão de que o Rio realmente continua lindo. Apesar de tudo a minha primeira e última impressão são as mesmas. Essa cidade me lembra Buenos Aires pelos seus prédios antigos e mendigos, me lembra também Maputo (capital de Moçambique) pela sujeira das ruas e pedintes que brotam por todos os lados, e ainda me lembra Santo Domingo (cidade de meu pai , capital da República Dominicana) pela clara associação social entre classe e raça, num lugar cercado de belezas históricas e naturais.


De fato o Rio de Janeiro é lindo, como um samba, de melodia alegre, palavras simples e tristes, que revelam a luta e o sofrimento daqueles que não têm nem voz nem vez. E mesmo assim, não perdem a sua fé em um Cristo que está sempre de braços abertos.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Algumas reflexões sobre o tempo e o sentimento

Estou tendo muito mais tempo, ultimamente para pensar na minha vida , e ler muita poesia, graças a Deus!
A verdade é que ando meio cabisbaixo, não encontrei ainda o porquê, mas algumas saudades e sonhos que tenho tido talvez constituam a resposta a essa minha pergunta . Tenho apenas 20 anos e algumas experiências (duas pra ser mais exato) amorosas no meu cúrriculo sentimental. E ultimamente parece que o que supostamente já estava superado voltou com mais interrogações do que nunca. A poesia, pode ser muito ou nada, útil nessas horas. Tanta coisa ainda há pra se fazer, lugares para conhecer e coisas para ler. Mas a minha breve memória torna a questionar coisas que ficaram para trás. Para ilustrar um pouco o que se passa , vou deixar aqui um poema do Mário Quintana que li a alguns dias...

Uma alegria para sempre

As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre onde
as datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides... Que importa se –
depois de tudo – tenha "ela" partido,
casado, mudado, sumido, esquecido,
enganado, ou que quer que te haja
feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, ela
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte da tua vida presente
e não do teu passado. E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando, deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Roda Viva

Entre textos e prazos, ele se encontrava. A dor em sua cabeça o lembrava que tinha que ir dormir e que já era tarde. Quem sabe mais uma palavra e ele entende exatamente o que aquele filho da puta escreveu a tanto tempo atrás , e o porquê de ele estar lendo-o, mas uma palavra foi o suficiente para sentir a sua cabeça explodir. Resolve ir dormir, mas o seu cérebro, aquele que estava imerso em teorias e hipóteses, passava, agora por uma turbulência de realidades que pertenciam a ele mesmo. Será que eu vou passar de semestre? Será que eu vou me formar com 20 e poucos? Será que eu consigo viajar antes disso? Será que ela gosta de mim? Será que meus pais algum dia vão realmente me entender? Será que tem dinheiro no banco? Será?

E como de súbito, ele apaga, sem forças nem dúvidas, e tampouco teorias sobre a vida.



Como havia dito no outro post, o mês de junho foi intenso, cheio de pessoas novas, coisas boas, outras nem tanto, algumas respostas e novas perguntas. A vida continua, e eu, amante das abstrações da realidade, sigo cada dia mais louco. As experiências incríveis do último mês começam a deixar um pouco de saudade agora.

Porém algo deve ser dito, antes que eu me esqueça. Algumas pessoas foram essenciais para que eu pudesse sair vivo desse mês, são algumas, mas são também únicas. Elas convivem diariamente comigo, ou as vezes só as vejo no fim de semana, as vezes só de mês em mês. Esses são os meus amigos, e de fato, tenho alguns bons amigos, com quem posso contar. Talvez seja por isso que a roda-viva não me enloqueceu de vez, porque ela está cheia de pessoas fascinantes. Talvez no dia-a-dia encontramos a verdadeira felicidade, sem aviões caindo, nem estrelas morrendo. Talvez se não fossem as pessoas interessantes que conheci até aqui, não conseguiria nem sair da cama para estudar a sociedade. São hipóteses que talvez a sociologia ainda não possa responder.
Aquele abraço para a tribo Manassés


"O samba, a viola , a roseira, um dia a fogueira queimou, foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou.

No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar, mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade pra lá. "Chico Buarque

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A "raça" e o mês de Junho

O MINISTÉRIO DO LIVRE-ARBÍTRIO ADVERTE:
Este post é contra-indicado para Ateus e Atléticanos.

Brincadeiras à parte, e o outono (com jeito de inverno) curitibano com tudo. E junto com o frio, aquelas responsabilidades do começo do ano parece que começam a pesar mais agora. Não só para mim. O time que eu torço ( Coritiba Football Club ) faz 100 anos este ano, e uma das exigências da torcida organizada, e da desorganizada também, é que o time ganhe um título neste ano. E... para encurtar a história, ele já havia perdido uma oportunidade de ser campeão. Na segunda delas, a Copa do Brasil, o time chegou até a semi-final, quando jogou com o Internacional. No jogo da volta, que foi em Curitiba, o time ganhou, mas perdeu. Explico. O time não conseguiu a vantagem suficiente pra compensar a derrota do primeiro jogo com o Inter. Mas mesmo assim ganhou do Inter e jogando muito bem, contra todos os prognósticos. Contra todas as previsões. E talvez não teria sido tão bom se fosse o "Coxa" que tivesse ganhado "perdendo", justamente porque ficou clara a disposição dos jogadores, e a vontade de vencer por aqueles que pagavam para assistí-los. A raça deles em campo, o time dos negros de coxas-brancas, valeu para mais 100 anos de torcida, pelo menos na minha parte.

Foi um jogo bonito.

Mas já que estamos falando em raça e responsabilidades, vou aproveitar para contar um pouco sobre o projeto que eu estou envolvido e tem tomado muito do meu tempo nesse último mês. O retiro espiritual "Luz na Floresta" tem uma proposta tanto para jovens quanto para adultos. E em vez de um chamariz para a igreja católica, esse reitro procura trabalhar a dimensão cristã da vida das pessoas, não deixando de lado questões como sentimentos, amizades e família. Como já estou a algum tempo trabalhando neste acampamento, esse ano assumi (junto com outras pessoas é claro) outras funções , que vem me consumindo muito tempo ( de estudo principalmente) . Nada que eu já não tenha passado antes, por isso que essa dedicação quase que exclusiva e gratuita, tem um valor pra mim pessoalmente muito grande. Esse valor seria a concretização, ou a experiência concreta daquilo que acredito e que professa a minha fé (cristã e católica) . A qualidade do trabalho reflete o quanto você acredita nele. Isso talvez valha para outras situações, quem sabe?

Agora só nos resta estudar, trabalhar e curtir algumas Festas Juninas (até porque ninguém é de ferro)

Saudações

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sobre os limites da vida em sociedade


"190km/h é crime" Dizia o adesivo, enquanto o carro passava a pelo menos mais de 70 km/h, numa via aonde se lia 30km em letras gigantescas no chão. E eu que estava muito tranquilo, ao ver aquilo me indignei. Me indignei com a indignidade da nossa classe média. A pompa, a presunção e a insolência caminham lado a lado pelas ruas do Batel, pelos condomínios fechados do Tingui e pelas belas casas do Barigui.


"Uma sociedade tem os políticos que merece" , Disso eu não tenho plena certeza, e é uma hipótese ainda (não que eu tenha conhecimento) não testada pela ciência política. Mas uma coisa é certa, até que ponto temos a "envergadura moral" (me utilizo de uma expressão criada por um humorista)de pedir pela justiça e pela paz no trânsito, quando nem justos e nem pacíficos somos quando ao volante. Somos a sociedade dos advogados que burlam a lei, dos médicos de péssima saúde, dos economistas endividados, dos políticos que roubam ... E somos por isso também , seres humanos. Passíveis de perdão diria Jesus, quando sincero o arrependimento. Mas segundo o mesmo, submetidos às nossas próprias leis ( "a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César"). Thomas Hobbes nos lembra que o homem é o lobo de si mesmo, e para evitar a barbárie é que existe o Estado, é para isso que existem as leis.


Portanto, que a inegável irresponsabilidade do deputado Ribas Carli Filho seja devidamente julgada, pela lei, enquanto que aos vigilantes da moral e dos bons costumes, que policiem a si mesmos antes de atirar a primeira pedra.


"O Inferno são os outros"
Jean Paul Sartre


Às irresponsabilidades mortais dos seres humanos.

sábado, 16 de maio de 2009

Flores no deserto

E ainda que muita coisa esteja ocorrendo de bom, na minha vida, existem algumas questões que me inquietam muito, ainda.
No estudo da sociedade, ainda há, na minha opinião,uma lacuna a ser preenchida. Essa lacuna se refere aos impulsos humanos mais íntimos e ao entendimento das nossas escolhas. Particularmente esse é um objeto que me fascina, principalmente quando transposto à política. Que é , queira ou não queira, a dimensão especialmente direcionada ao conflito, dentro das diversas nuances do social. O entendimento dos impulsos de efeito social, ao meu ver, têm ao mesmo tempo uma origem psiciologica e sociológica. E em termos mais gerais possui uma origem antropológica. Ou seja, o que se cultua, o que se representa em determinado espaço e tempo, é fruto de relações de "micropoder" que se estabelecem nas ramificações de uma sociedade complexa.
Essa semana decidi que essa será a problemática que vai orientar meus estudos, o caráter antropológico das relações politicas.

Presenciei o desmascaramento de alguns integrantes do centro acadêmico do qual participo (CACS) e devo dizer que como colega de trabalho, fico triste pela saída de uns e pela permanência de outros. O status quo dentro de um curso de Ciências Sociais é diferente, mas cumpre as mesmas funções que em qualquer outro lugar. Me resta erguer a cabeça e procurar manter a integridade nesse espaço de puro conflito.

Entendi por fim que os amigos que tenho são como flores num deserto, cercadas por uma areia social tão árida, mas ainda assim são tão belas e cheias de vida. Tanto os antigos amigos (do colégio) como os novos (da faculdade) têm me mostrado provas de fidelidade constantes, além da clara nobreza dos seus corações.

E para terminar deixo aqui uma menção aos meus pais, ausentes a uma semana já. As suas preocupações com a vida em geral, me tornaram um amante da vida humana, independente de crenças e principalmente dogmas, eu agradeço a eles, principalmente, pela inquietude.

Muitos desafios ainda estão por vir, que o outono, prelúdio do inverno, amadureça nossas folhas da sabedoria.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pra quem gosta de poema e também de rimar

Aproveito a oportunidade de escrever um dia antes do meu aniversário (5 de maio) e coloco aqui um poema feito recentemente por mim, espero que agrade a quem me conhece e a quem não me conhece, mas que acima de tudo signifique alguma coisa para cada leitor.

Auto-Retrato

Ando meio dionisíaco
E confundindo as medidas
Às bebidas.
Por isso hoje, me fecho para balanço,
E danço a melodia
Da minha batida,
No ritmo que eu quero.
Às vezes teimoso para ouvir,
Às vezes tímido para falar,
Esse quem escreve
Sou eu.

Completando meu vigésimo outono
Tudo parece ótimo.
Só que nada me satisfaz,
Graças à Deus
Nada me satisfaz.

Quem sou eu ?
Eu sou meu pai,
Uma palavra marítima.
Eu sou minha mãe,
Uma palavra de ordem.
Eu sou meu irmão,
Uma palavra de sangue.
Eu sou minha vó,
Uma palavra de amor.

Mas de repente,
É poética o que me falta!
Onde estavam aqueles versos rebuscados ?
Aquela rima,
Aquela harmonia ?
Aquela pequena ironia...

Se bem quem há em mim outras qualidades.
Nunca fui o pior nos esportes,
Com as meninas, quem sabe algum sucesso (se é que isso é realmente necessário).
Minha "carreira" política é marcada por algumas alegrias,
Apesar de ter ocorrido em lugares onde reinam,
E eu sei que reinam,
Algumas boas hipocrisias!
E ainda há a música,
Uma cartela que não está completa,
Com alguns espaços meio preenchidos,
O do pandeiro e o do violão, por exemplo.
Mas se não sou poeta,
Nem esportista,
Nem malandro,
Nem político,
E nem músico,
O que será que sou ?

Sou um amante, amante da vida.
Sou também um menino.
Não sei se bom menino,
Mas com certeza bom amante.
Ainda não chego aos pés de Jesus,
Ainda,
Mas ele morreu com trinta.
E eu tenho tempo,
Ainda.

No meu dia-a-dia?
Muita correria!
Posso dizer também, que muita alegria.
Alegria tanta que até rima.
Peteca, bicicleta, biblioteca.
Samba e Corda-bamba.
Livros e amigos.
Escalada e estudada.
Trabalho e ...
(É parece que isso não rima muito não!)

Enfim, esse é meu auto-retrato,
E posso afirmar,
Com alguma certeza
Que as últimas duas décadas têm sido bem divertidas!
E o que me espera nas próximas décadas?
Só Deus sabe...
Esse menino que aqui vos fala,
Agradece sempre que pode,
Cada minuto,
Cada segundo,
Cada milésimo,
A presença daqueles atores/sujeitos
Da sua vida.

terça-feira, 21 de abril de 2009

"Cartas do Inferno "


Para os que não acreditam, é tudo uma grande mentira, ou é tudo uma brincadeira de mau gosto, da qual se ri para deslegitimar de forma sistemática. Eu prefiro crer.


Pensando então na Astrologia como uma ciência dotada de significados, que para mim pelo menos, fazem muito sentido, vejo hoje o fim de um período chamado o Inferno Astral do meu signo. Chama-se Inferno astral , por ser um período não muito fértil(no sentido de projetos pessoais e afins) , mais voltado para a reflexão do que se tem feito na sua vida.


Estive, portanto, refletindo muito sobre a vida e a morte, e os significados que eu atribuo a essas duas coisas . Muito próximo de completar 20 "outonos" a minha vida não está nem perto de ter atingido sua plenitude, com algumas alegrias e uns quase arrependimentos, me sinto apto somente a saber quem é realmente meu amigo. O que já é algo para uma vida inteira. Quanto a morte, não é algo que me faz muito sentido, e que se aproximou de mim nos momentos mais decisivos da minha vida. E apesar de muito religioso, entendo que várias pessoas procuram as religiões para dar um sentido a morte, enquanto que para mim essas nos permitem dar sentido à vida.

Hoje em dia opto por crer naquilo que me constitui como sujeito histórico, social e cultural do meu tempo.

Creio num Deus que não é nem lei, nem doutrina e tampouco qualquer outro tipo de agregação sintático-semântico-fonética. Creio num Deus que é vida, em abundância e dignidade para tudo e para todos. Independente de qualquer que seja a minha Igreja.


Eu sou um samba sobre a vida chegando no refrão. Daqueles sambas que a cada verso, agradece a misteriosa harmonia da vida.


Fica a indicação para aqueles que gostam de bons filmes: "Mar Adentro ", filme que inspirou o título deste post.

Fica o agradecimento àqueles que creêm no possível e no impossível.
*Na foto eu (camisa do Brasil) e meu querido Nonno, que já não está mais entre nós.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sobre Cristo

Tomo a liberdade hoje de fazer uma tradução livre de uma música que faz parte das reflexões do dia. O dia da morte de Cristo.



Fazer ou Morrer ( Do or Die) de Jason Castillo



Eu matei o Filho de Deus hoje.
Eu construí a cruz onde ele foi pregado.
Meus pecados, as mãos que seguraram o martelo, que levaram os pregos por sua pele.
Um dia vencerei.

Eu quero recompensar, quero morrer por Você.
Me faz entristecer, quando eu penso tudo que Você passou.
Eu devo meu todo por Você.

Pois quando ficou entre fazer ou morrer, Você morreu por mim. Pensei que não seria nada perfeito, para os olhos humanos.

Minhas mãos são suas para o trabalho.
Meus olhos vão procurar até que eu ache Você.
Minhas pernas vão caminhar pelo mundo, até que Você me diga que meu trabalho foi o suficiente.

Eu quero recompensar, quero morrer por Você.
Você é o que eu amo.
E eu devo meu todo a Você.

Eu conheci o Filho de Deus hoje. Ele disse : " Eu te perdoo por minha dor. "
Ele tirou meu pecado , as mãos que seguravam o martelo, que levaram o pregos por sua pele.
Ele disse que eu venci.

Eu estou em uma nova criação através de Você,
Criada por Você e para Você.
Então me faça valer por um momento, me faça útil.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Poesia Muita é sempre pouca.


Fica aqui um trecho do poema de Àlvaro de Campos ( Fernando Pessoa) para quem não conhece, ou para quem já gosta.
Fica meu agradecimento à outro poeta que traduziu sem que eu soubesse, e antes de eu ter nascido, muitos dos meus sentimentos em palavras...

"Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio?
Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas-
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim?
Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido."

Dedicado à todos aqueles que vivem se "achando".

domingo, 29 de março de 2009

As águas de março

O alarme toca. O corpo sente o cansaço e os olhos começam a abrir. É mais um dia que começa.
Acabou o verão, e o outono, com seu céu azulado e suas folhas secas, dita novos desafios para nossa vida. O que mais me tem impressionado nos últimos dias é como estou cercado de pessoas boas, bons amigos e afetos.

Mesmo em meio a correria, as águas de março me trouxeram certa tranquilidade quanto a quem sou. Não que saiba isso, como um texto decorado, mas justamente porque visualizo meus objeitvos se concretizando de uma maneira assustadora. Que nunca me falte a humildade dos pequenos, e nem a cólera diante do que é injusto. Admito com certo pesar, porém, que a falta de tristezas me desabilita como poeta ainda que inspirado por tantas outras coisas.

Esse tempo de Quaresma é um tempo de muita reflexão, foi para Jesus e está sendo para os católicos praticantes. O tempo certo para preceder um Abril de Páscoa, mentira e tiradentes.

Fica aqui um agradecimento sincero a todas atitudes boas e incondicionais que eu tenho presenciado . Que isso se multiplique. Abrs

domingo, 22 de março de 2009

"Tecnica e Ciência enquanto Ideologia" e a cidade de Curitiba


Tomo hoje este espaço como um treino para meus estudos, e o aproveito para praticar um pouco de sociologia.


A breve análise que Jurgen Harbemas faz no seu texto "A Técnica e a Ciência como Ideologia" nos permite repensar algumas questões da realidade brasileira.

É louvável a forma como o autor faz uma retrospectiva histórica dos fatores sócio-científicos, que, como o mesmo demontra, a partir do controle dos processos naturais, levaram a formação de uma ideologia. Essa tem como retórica a destituição de sentido das etapas constituintes dos processos científicos. Ou seja a idéia que se é possível fazer ciência sem sentido ideológico.

O que me parece, porém, deixado de lado na análise do autor Frankfurtiano, é a consequência que essa ideologia de reificação do homem teve nos países ditos de "terceiro mundo" ou em desenvolvimento.A meu ver essa questão ( a onda tecnocrática) influenciou, em particular, a atuação dos militares durante a ditadura brasileira, e além disso contribuiu para a deformação de alguns aspectos sociais do Brasil nos anos 60 , 70 e começo de 80. Pegando o caso de Curitiba nota-se uma supervalorização dos técnicos, e em termos de planejamento urbano ficou clara a opção de se fazer uma cidade que privilegie as classes média-alta e alta. A desideologização da política na cidade foi tão grande que essa forma de planejamento vigora até hoje, e é reproduzida nos partidos políticos que nela atuam. Arquitetos e engenheiros de classe média criaram o mito da urbanização em Curitiba, que na realidade era um aglomerado de projetos feitos a seu bel-prazer. Nota-se até hoje como a cidade é estruturalmente marginalizadora. Algumas das consequências visíveis são desvalorização da cultura negra da cidade, a priorização dos automóveis como meios de transporte e a manutenção de um mesmo grupo político por mais de 30 anos.

Habermas diz :" A solução de tarefas técnicas não depende de discussão pública. Discussões públicas poderiam, antes , problematizar as condições de contorno do sistema, dentro das quais as tarefas de atividade do Estado se apresentam como técnicas."

Talvez essa ideologia, que se fez a partir da mescla da racionalidade científica com a efervecência social da religão, não esteja tão forte quanto antes, porém as consequências da sua existência são sentidas hoje por aqueles que têm suas necessidades mais básicas furtadas. Tudo por um simples cálculo racional de gastos.

Talvez seja a hora de pararmos de querer controlar a natureza.

Talvez seja a hora de controlarmos a nossa própria natureza devastadora.

terça-feira, 17 de março de 2009

A volta da rotina


Estamos em pleno mês de Março, e eu estou de volta depois de algum tempo sem passar por aqui. Além das novidades estéticas do blog existem algumas novidades na minha vida.

Algumas coisas mudaram, como por exemplo a minha carga de trabalho que até as férias era quase nula, agora é pelo menos o dobro do que eu estava acostumado e ainda está acompanhada do meu primeiro passo na carreira acadêmica, a monitoria do curso de Ciência Política 3. Sim, isso significa muito, mas muito menos tempo pra pensar, e escrever então nem me fale!
Enfim, diferentemente das formigas que andam pela parede do meu quarto (diariamente), vou e posso, tirar esse exato momento pra escrever um pouco sobre algumas coisas que rolaram nas últimas semanas.

Para começar, a semana de formatura do meu irmão, que também foi a primeira semana de aula, me fez pensar sobre como a graduação passa rápido e como nós temos uma cultura (no Brasil) de eternizar momentos importantes com muita bebida alcoolica, talvez fruto de uma tradição cristã, (quem garante que Cristo não tomou um porre na última ceia?) quem sabe né ?
Digo isso por que tanto pra quem tá entrando, como pra quem tá saindo da faculdade a bebida é uma boa maneira de se iniciar na fase seguinte.

Nesse momento portanto, me encontro com a seguinte situação...Tenho mais alguns anos para acabar a facul ( 1 ou 2), tenho um irmão quase advogado (sim eu sei grandes merdas ser adEvogado, mas é meu irmão né) , tenho uma média de pelo menos 100 a 200 páginas de leituras semanais, tenho um chefe gente boa e um colega de trabalho com o qual eu posso contar (porque a grande maioria realmente não faz nada) , tenho uma turma de 8 crianças de 10 anos as quais vou mostrar porque a vida cristã é boa, tenho um vício na prática de peteca reitoriana e escalada, tenho uma promessa de que ficarei 40 dias sem cerveja ( mas só a cerveja tá fora dessa), tenho os melhores amigos de desde que me conheço por gente, tenho uns cinco livros que preciso terminar de ler ...
E esse é só um panorama geral, o que me deixa muito feliz, porque nunca que imaginei que chegaria até aqui.

Termino esse post com alguns versos escritos por mim em 2007 , e que agora me fazem muito sentido.

Essa mania de brincar com o absurdo
Dos meus pensamentos,
Ainda vai me enlouquecer.

Mas esse fardo
Esse vício,
É o que me faz engrandecer.

Às vezes bobo,
Às vezes tímido,
Às vezes só quero esquecer...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

De carnavais e carnais

O mês de fevereiro não poderia terminar sem uma menção à maior festa da cultura brasileira, o carnaval.
Depois de várias experiências frustradas com essa festividade, eu vivi esse ano o mais próximo do que para mim seria o carnaval ideal. Cercado de amigos, cerveja, meninas bonitas e uma praia linda, a receita para uma diversão "bombástica".
Umas das coisas mais interessantes dessa festa é que ela é por essência extremamente democrática, já que nasceu nas ruas de uma Veneza ainda burguesa e se tornou na contemporaneidade, um espaço (muito raro) no qual o morro é aplaudido pela classe média alta, pelas suas belas morenas e seus habilidosos passistas.
Outra questão que fica clara nessa data é como a sexualidade deixa de ser um tabu para homens e mulheres. A cada máscara posta, há uma máscara caída, tudo pela diversão. Tudo que é "normalmente" condenado é moralmente justificável , afinal é carnaval, que aliás é , nada mais que carnal.
De fato no carnaval vemos coisas átipicas e as fantasias variam desde as que você pode vestir às que você pode tomar, cheirar ou fumar.E aí vai de cada um.

Fica agora a sensação de que o ano está realmente começando, trabalho, aulas, mais aulas, livros , o fim de semana e a fé numa vida melhor .
Que venha a rotina ...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A eternidade das palavras e dos sentimentos

Fica aqui meu agradecimento à Vinicius, por existir e por me ensinar a chorar em versos. E principalmente, pelo vasto tesouro literário que ele nos deixou. Só pra quem não conhece, um gostinho da triste beleza poética de Vinicius de Moraes.

O haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história...

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

As faces da palavra

O que é realmente a liberdade de expressão ? Será que ela se relaciona com a capacidade de se expressar ?Até onde vai essa liberdade ?
De fato , a expressão demanda espaço. Seja esse espaço físico, psicológico ou espiritual. Mas se expressar é algo essencialmente dialógico. Não é a toa que quando estamos conversando com alguém , dialogamos.

Eu pessoalmente, creio que não existe algo que seja mais humano que a expressão , o diálogo, seja ele dançado, falado, escrito, cantado. Essa "dialogicidade" humana porém, exige para a sua perfeita harmonia, o respeito ou a minima tolerância com o que difere. O conflito é naturalmente parte da expressão, como ação, e ele não pode perder seu caráter democrático que é o que justamente faz dele algo dialógico. A riqueza do diálogo reside no caráter construtivista que ele possui. Na sua capacidade de somar sem coptar.

O número de línguas que uma pessoa pode falar, os instrumentos que ela toca, os tipos de música, de danças, de caretas , enfim tudo que possa passar alguma mensagem. Isso é a expressão e ela é o fruto da inteligibilidade do hommo sapiens sapiens. Ela não se resume à vida, e tampouco a morte, logo, ela é nosso maior fardo.

*Dica de um bom disco de música brasileira : Lenine - O dia em que faremos contato

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sobre as mudanças e os mundanos

Ultimamente tenho pensado muito na questão da mudança, não é por acaso que estou me mudando de casa (pela primeira vez participando de uma mudança conscientemente).
As vezes as mudanças vem em boa hora, as vezes não. Elas são boas quando significam o fim de uma situação intolerável. Elas são "más",(geralmente) quando inesperadas.Poderia aqui fazer uma dissertação com base em Heráclito, mas vou ser mais simples.

Assim como o começo, o fim de um namoro é uma mudança.É uma mudança que pode ser boa e não tão boa, em ambos os casos. Talvez se transferirmos o raciocínio para a física eu ficarei mais compreensível.A mudança, seria uma dada situação na qual um objeto que está estático, passa a movimentar-se, não importa, nesse caso o sentido, a intensidade ou a causa, o que importa, é que quando isso ocorre, as regras do "jogo" da vida mudam. Mudam os atores , são novas as situações e enfim a nova rotina nos expõe a escuridão da incerteza.

A mudança de um presidente pode significar uma nova concepção de política para um país, ou pode ser somente a nova face de uma velha oligarquia.

A compreensão da mudança as vezes pode pertencer ao plano divino. Mudanças drásticas em curto prazo exigem um entendimento maior e, muita calma e humildade. Seja o que for (boa ou "má")a mudança, a capacidade de nos adaptarmos e de aprendermos outras situações é, dentre outras coisas, o que nos faz humanos. Não fosse o câmbio, não haveria o progresso seja ele bom ou ruim.

Como diria a música da cantora Mercedes Sosa "Cambia todo cambia..."

sábado, 3 de janeiro de 2009

Ano-novo, velhos conflitos...

Primeira postagem do ano, esse com certeza será um ano diferente do que passou, mas que levará consigo algumas marcas, digo isso tanto no ponto de vista pessoal, como no ponto de vista geral. Outras marcas já estão aí faz algum tempo, e é dessas marcas que eu gostaria de refletir um pouco sobre, neste post.

Eu, apesar dos pesares, não me considero o tipo de cara que está sempre informado das noticias, dos fatos que ocorrem no mundo, o que também não quer dizer que me alieno completamente. O que quero dizer é que não é sempre que reservo um tempo para ler notícias no jornal (o que admito que é uma falta grave para um futuro sociólogo). Existem porém algumas coisas que me fazem prestar mais atenção aos meios de comunicação de massa. Em geral guerras e eleições são os principais (ou melhor dizendo as questões políticas em si).
Nos últimos dias tenho acompanhado as notícias sobre um velho conflito étnico que foi reiniciado. Estou falando da Guerra judaico-palestina pelo território da Faixa de Gaza. Para quem não sabe, esse território é sagrado para ambas as religiões que permeiam essas etnias (Judaísmo e Islamismo). Sabemos entretanto, que o que reavivou o conflito no final de 2008, são razões extra-religiosas e étnicas, que ao meu ver são muito mais políticas e ideológicas, quem sabe até possa se parafrasear Boaventura de Souza Santos quanto à Razão Indolente dos países do Norte, e dizer que o que estamos vendo é o cúmulo deste tipo de razão. Digo "sabemos", porque é em veículos da mídia de massa, a maior produtora do medo sistêmico nas pessoas, que eu me informo a respeito do conflito.

Foi num jornal (e antes disso em uma aula de geografia quando ainda no ensino médio) que me informei da disparidade que há entre os lados, no sentido de poder bélico e pólítico no cenário internacional. Israel de um lado com um exército de 500 mil soldados, fora a população jovem do país que presta serviço militar obrigatório. E do outro lado, os palestinos (ou a nação sem território), que possui o Hamas como força militar com 500 a 5000 soldados (quando estes não são crianças com paus e pedras). O Estado de Israel possui o apoio explícito do promotor mundial da violência e do medo (EUA), que tem claro interesse na terra sagrada, no sentido de obter assim um controle mais próximo de outras possíveis novas potências bélicas, como o Irã.

Não quero aqui tomar partido nessa briga de gato e rato. O ridículo é agora o desumano. Essa guerra que hoje chegou a seu 7° dia ridiculariza orgãos como a ONU, que provavelmente devia estar em algum recesso de fim de ano nos primeiros dias do conflito, pela inércia estúpida que demonstrou. Mais de 500 pessoas, que segundo o Estado de Israel, se encontravam movidas pela "lógica do ódio", foram friamente assasinadas, pela possível ganância de poucos e pela clara ilusão de muitos. Nunca pensei que fosse viver para vivenciar um fato tão vil, tão asqueroso, tão desumano.

E assim começa 2009, pra quem pensou que fosse mudar repentinamente da àgua para o vinho, ainda temos muito o que caminhar.Desejo para todos e todas, um ótimo ano de 2009, com muita paz, amor e saúde, e que nunca nos falte a esperança e a fé na vida.

OBS:Fica aqui também um agradecimento especial para o pessoal de Piraí do Sul que fez o meu final de ano mais amoroso (no sentido mais familiar da coisa) , principalmente à família Milléo, que o ano de vocês seja completo de virtudes.