sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Queira ou não queira terminou o carnaval

Voltar a trabalhar nunca é fácil. Por melhores que sejam os companheiros de trabalho. O pior é começar a lembrar das coisas que ficaram pela metade, acho que esses são os momentos mais assustadores da rotina, quando as oportunidades e responsabilidades ficam embaralhadas. Saber colocar cada uma dessas em seu devido lugar é uma arte.
Por isso nesses momentos a presença de amigos (e namoradas porque não?) é de muita ajuda, justamente porque esses nos ajudam a relaxar e buscar soluções mais simples para esses problemas inevitáveis do cotidiano.

Eu por exemplo, comecei no meu trabalho, a montagem de uma tabela que compare a situação habitacional da cidade nas décadas de 70, 80, 90 e 2000. Além disso tenho a pesquisa acerca dos Estudos Africanos no Brasil e a relação destes com a independência dos países africanos de língua portuguesa. E ainda, estou ajudando meu melhor amigo a organizar a festa de despedida dele, na qual eu e ele vamos tocar um sambinha pro pessoal. Essas coisas são aquilo que eu tenho que fazer, mas sem considerar os afazeres caseiros que tomam tempo e disposição, e em algumas casas, podem ser motivo para brigas.
Mas no final do dia o que (pelo menos pra mim) não pode faltar, é aquela cervejinha despretenciosa com alguns amigos, regada a um bate-papo sobre banalidades. Pelo modo que vejo, não é só o trabalho que dignifica o homem.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Life Less Frightening

Em tempos de desastres naturais, é comum que as pessoas se perguntem o que deve nortear as possíveis soluções. Pensei em várias formas de comentar de alguma forma o desastre do Haiti, mas a soma das desigualdades é sempre a fórmula pra um quociente enorme de abusos à vida humana. Por isso gostaria de postar aqui a música Life Less Frightening, da banda Rise Against, que diz um pouco do que penso sobre a vida e o que se passou no país vizinho da República Dominicana.

Life Less Frightening

Suffering from something we're not sure of ina world there is no cure for
these lives we live test negative for happiness
flat line, no pulse, but eyes open
single file like soldiers on a mission
if there's no war outside our heads
Why are we losing?

I don't ask for much
Truth be told I settle for a life less frightening
A life less frightening (2x)

Hang me out to dry I'm soaking
with the sins of knowing
what went wrong, but doing nothing I still run
time again I have found myself stuttering
foundations pulled out from under me
this breath is wasted on them all
will someone aswer me?

(Chorus)

Is there a God tonight
up in the sky
or is it empty just like me?
a place where we can hide
I long to find
where you are all I see.
So blow a kiss goodbye then close your eyes
and tell me what you see?
a lifetime spent inside this dream of mine
Where you are all I see...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Mãos livres

Na terra da "liberdade" as mãos estão sempre ocupadas, se você não está numa sala de estar com o controle da televisão na mão, está com as mãos num grande hamburguer. Na rua, muitas mãos tem cada uma o seu aparelho de música, quando dentro de estabelecimentos comerciais, as mãos, neste lugar não escapam sem tocar, carregar, muito ou pouco, dinheiro.
Em todo lugar vêem-se as mãos cheias, carregadas e ainda não se sabe porquê. As vezes elas vem ornamentadas com anéis e luvas, mas ainda assim não se entende qual o motivo dessas mãos terem tanto para carregar , levar consigo e o que será feito com isso. A verdade é que depois de tantos botões apertados, e tantas maçanetas giradas essas mãos se viam como escravas.
Essa escravidão, a maior e talvez a pior da terra da liberdade impedia as mãos de se pensarem e de criarem coisas verdadeiramente úteis. E ainda pior, a maior parte do tempo elas não podiam tocar outras iguais a ela, eram reféns do desamor e da tirania de seus donos. O contato que tanto desejavam, se resumia diariamente a meros e raros apertos de mãos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Notícias da Terra do Tio Sam



Estive tirando umas férias de escrever. Não porque não aguentasse mais escrever, mas porque achei que deveria arejar um pouco minhas idéias. Estou agora, escrevendo da casa do meu tio Arturo que vive em New Jersey. Já faz algum tempo que eu estou aqui e tem sido uma boa experiência, gastei mais dinheiro do que nunca (comprando um laptop, com o suado dinheiro do estágio), encontrei com o professor que está orientando minha pesquisa e tive a oportunidade de conhecer algumas das universidades mais conhecidas na minha área.


Conheci antes de chegar aqui em New Jersey, a cidade de Bogotá na Colombia. Lá conheci um grande sociólogo (a meu ver) e amigo de meus pais chamado Victor Reyes Morris. Estudioso das questões urbanas e de conceitos clássicos das ciências sociais, como a anomia, este professor se mostrou um sujeito muito sensato. Ademais deste senhor muito interessante, fiquei encantado com a cidade de Bogotá, gostaria de ter passado mais tempo lá.


Para quem não sabe New Jersey está ao lado da ilha de Mannhatan, parte da cidade de New York. Esta, que com certeza é um dos lugares mais interessantes do mundo, e quase com certeza o lugar mais interessante dos Estados Unidos. Digo interessante, porque abriga uma gama de culturas tão diversas e ás vezes contraditórias, que parece uma utopia que se mantenha pacífica e se situe num país como os Estados Unidos. Algo que talvez seja parte da cultura do país e que junto com meu irmão constatei é que o individualismo, aqui parece que é o bem mais distribuído igualitariamente. Independente de raça, cor ou credo, as pessoas parecem estar dotadas de uma razão individualista que é coletiva e democrática, e talvez necessária para um lugar onde o sistema capitalista é extremamente desenvolvido. Esse desenvolvimento (é sempre bom lembrar) ocorre em detrimento da exploração de países subdesenvolvidos como o Haiti e costuma subjugar uma maioria através do trabalho e da crença no consumo e nas coisas materiais.


Não poderia deixar de falar das saudades que desde o começo da viagem me acompanham. A saudade do samba da palma da mão e da sola do pé. A saudade da morena que eu deixei, e dos amigos mais que fiéis. A saudade que é inerente à todo aquele que tem o sangue latino e por diversas razões vem para esse hemisfério frio, que cada vez mais tem um sotaque espanhol. Coisas que fazem parte de mim e que me fazem amar sempre e cada vez mais o lugar de onde eu saí.