O alarme toca. O corpo sente o cansaço e os olhos começam a abrir. É mais um dia que começa.
Acabou o verão, e o outono, com seu céu azulado e suas folhas secas, dita novos desafios para nossa vida. O que mais me tem impressionado nos últimos dias é como estou cercado de pessoas boas, bons amigos e afetos.
Mesmo em meio a correria, as águas de março me trouxeram certa tranquilidade quanto a quem sou. Não que saiba isso, como um texto decorado, mas justamente porque visualizo meus objeitvos se concretizando de uma maneira assustadora. Que nunca me falte a humildade dos pequenos, e nem a cólera diante do que é injusto. Admito com certo pesar, porém, que a falta de tristezas me desabilita como poeta ainda que inspirado por tantas outras coisas.
Esse tempo de Quaresma é um tempo de muita reflexão, foi para Jesus e está sendo para os católicos praticantes. O tempo certo para preceder um Abril de Páscoa, mentira e tiradentes.
Fica aqui um agradecimento sincero a todas atitudes boas e incondicionais que eu tenho presenciado . Que isso se multiplique. Abrs
domingo, 29 de março de 2009
domingo, 22 de março de 2009
"Tecnica e Ciência enquanto Ideologia" e a cidade de Curitiba

Tomo hoje este espaço como um treino para meus estudos, e o aproveito para praticar um pouco de sociologia.
A breve análise que Jurgen Harbemas faz no seu texto "A Técnica e a Ciência como Ideologia" nos permite repensar algumas questões da realidade brasileira.
É louvável a forma como o autor faz uma retrospectiva histórica dos fatores sócio-científicos, que, como o mesmo demontra, a partir do controle dos processos naturais, levaram a formação de uma ideologia. Essa tem como retórica a destituição de sentido das etapas constituintes dos processos científicos. Ou seja a idéia que se é possível fazer ciência sem sentido ideológico.
O que me parece, porém, deixado de lado na análise do autor Frankfurtiano, é a consequência que essa ideologia de reificação do homem teve nos países ditos de "terceiro mundo" ou em desenvolvimento.A meu ver essa questão ( a onda tecnocrática) influenciou, em particular, a atuação dos militares durante a ditadura brasileira, e além disso contribuiu para a deformação de alguns aspectos sociais do Brasil nos anos 60 , 70 e começo de 80. Pegando o caso de Curitiba nota-se uma supervalorização dos técnicos, e em termos de planejamento urbano ficou clara a opção de se fazer uma cidade que privilegie as classes média-alta e alta. A desideologização da política na cidade foi tão grande que essa forma de planejamento vigora até hoje, e é reproduzida nos partidos políticos que nela atuam. Arquitetos e engenheiros de classe média criaram o mito da urbanização em Curitiba, que na realidade era um aglomerado de projetos feitos a seu bel-prazer. Nota-se até hoje como a cidade é estruturalmente marginalizadora. Algumas das consequências visíveis são desvalorização da cultura negra da cidade, a priorização dos automóveis como meios de transporte e a manutenção de um mesmo grupo político por mais de 30 anos.
Habermas diz :" A solução de tarefas técnicas não depende de discussão pública. Discussões públicas poderiam, antes , problematizar as condições de contorno do sistema, dentro das quais as tarefas de atividade do Estado se apresentam como técnicas."
Talvez essa ideologia, que se fez a partir da mescla da racionalidade científica com a efervecência social da religão, não esteja tão forte quanto antes, porém as consequências da sua existência são sentidas hoje por aqueles que têm suas necessidades mais básicas furtadas. Tudo por um simples cálculo racional de gastos.
Talvez seja a hora de pararmos de querer controlar a natureza.
Talvez seja a hora de controlarmos a nossa própria natureza devastadora.
terça-feira, 17 de março de 2009
A volta da rotina

Estamos em pleno mês de Março, e eu estou de volta depois de algum tempo sem passar por aqui. Além das novidades estéticas do blog existem algumas novidades na minha vida.
Algumas coisas mudaram, como por exemplo a minha carga de trabalho que até as férias era quase nula, agora é pelo menos o dobro do que eu estava acostumado e ainda está acompanhada do meu primeiro passo na carreira acadêmica, a monitoria do curso de Ciência Política 3. Sim, isso significa muito, mas muito menos tempo pra pensar, e escrever então nem me fale!
Enfim, diferentemente das formigas que andam pela parede do meu quarto (diariamente), vou e posso, tirar esse exato momento pra escrever um pouco sobre algumas coisas que rolaram nas últimas semanas.
Para começar, a semana de formatura do meu irmão, que também foi a primeira semana de aula, me fez pensar sobre como a graduação passa rápido e como nós temos uma cultura (no Brasil) de eternizar momentos importantes com muita bebida alcoolica, talvez fruto de uma tradição cristã, (quem garante que Cristo não tomou um porre na última ceia?) quem sabe né ?
Digo isso por que tanto pra quem tá entrando, como pra quem tá saindo da faculdade a bebida é uma boa maneira de se iniciar na fase seguinte.
Nesse momento portanto, me encontro com a seguinte situação...Tenho mais alguns anos para acabar a facul ( 1 ou 2), tenho um irmão quase advogado (sim eu sei grandes merdas ser adEvogado, mas é meu irmão né) , tenho uma média de pelo menos 100 a 200 páginas de leituras semanais, tenho um chefe gente boa e um colega de trabalho com o qual eu posso contar (porque a grande maioria realmente não faz nada) , tenho uma turma de 8 crianças de 10 anos as quais vou mostrar porque a vida cristã é boa, tenho um vício na prática de peteca reitoriana e escalada, tenho uma promessa de que ficarei 40 dias sem cerveja ( mas só a cerveja tá fora dessa), tenho os melhores amigos de desde que me conheço por gente, tenho uns cinco livros que preciso terminar de ler ...
E esse é só um panorama geral, o que me deixa muito feliz, porque nunca que imaginei que chegaria até aqui.
Termino esse post com alguns versos escritos por mim em 2007 , e que agora me fazem muito sentido.
Essa mania de brincar com o absurdo
Dos meus pensamentos,
Ainda vai me enlouquecer.
Mas esse fardo
Esse vício,
É o que me faz engrandecer.
Às vezes bobo,
Às vezes tímido,
Às vezes só quero esquecer...
Algumas coisas mudaram, como por exemplo a minha carga de trabalho que até as férias era quase nula, agora é pelo menos o dobro do que eu estava acostumado e ainda está acompanhada do meu primeiro passo na carreira acadêmica, a monitoria do curso de Ciência Política 3. Sim, isso significa muito, mas muito menos tempo pra pensar, e escrever então nem me fale!
Enfim, diferentemente das formigas que andam pela parede do meu quarto (diariamente), vou e posso, tirar esse exato momento pra escrever um pouco sobre algumas coisas que rolaram nas últimas semanas.
Para começar, a semana de formatura do meu irmão, que também foi a primeira semana de aula, me fez pensar sobre como a graduação passa rápido e como nós temos uma cultura (no Brasil) de eternizar momentos importantes com muita bebida alcoolica, talvez fruto de uma tradição cristã, (quem garante que Cristo não tomou um porre na última ceia?) quem sabe né ?
Digo isso por que tanto pra quem tá entrando, como pra quem tá saindo da faculdade a bebida é uma boa maneira de se iniciar na fase seguinte.
Nesse momento portanto, me encontro com a seguinte situação...Tenho mais alguns anos para acabar a facul ( 1 ou 2), tenho um irmão quase advogado (sim eu sei grandes merdas ser adEvogado, mas é meu irmão né) , tenho uma média de pelo menos 100 a 200 páginas de leituras semanais, tenho um chefe gente boa e um colega de trabalho com o qual eu posso contar (porque a grande maioria realmente não faz nada) , tenho uma turma de 8 crianças de 10 anos as quais vou mostrar porque a vida cristã é boa, tenho um vício na prática de peteca reitoriana e escalada, tenho uma promessa de que ficarei 40 dias sem cerveja ( mas só a cerveja tá fora dessa), tenho os melhores amigos de desde que me conheço por gente, tenho uns cinco livros que preciso terminar de ler ...
E esse é só um panorama geral, o que me deixa muito feliz, porque nunca que imaginei que chegaria até aqui.
Termino esse post com alguns versos escritos por mim em 2007 , e que agora me fazem muito sentido.
Essa mania de brincar com o absurdo
Dos meus pensamentos,
Ainda vai me enlouquecer.
Mas esse fardo
Esse vício,
É o que me faz engrandecer.
Às vezes bobo,
Às vezes tímido,
Às vezes só quero esquecer...
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