domingo, 18 de outubro de 2009

Pequeno-burguesismos parte 2

Muito atento, já sabia alguns nomes, mas não sabia exatamente distingüir um artista de outro. Jazz era uma das músicas essenciais para se entender o rock que ele tanto gostava. Enfim escolheu e viu que tinha feito uma boa escolha, pelo preço do cd e pelas poucas músicas que ouviu alí na hora.
Já a caminho de pagar o estacionamento do shopping, lembrou do fim de semana que passaría no assentamento do MST, sem ter de se preocupar quanto iria gastar para estacionar, com a balada de sábado ou com o seu cartão de crédito. Lembra que tudo isso não estaria acontecendo se ele e seu amigo tivessem se organizado melhor, "deixe quieto", ele pensa.

O termo "radical", vem de raiz , de algo que é profundo ou aprofundado até as suas origens. Pensar as coisas radicalmente é ir ao princípio que gerou tal ou qual problema. Pensava eu que deveria ir até o assentamento para discorrer sobre minhas pequeno-burguesisses entre os trabalhadores rurais sem terra. Mas a verdade é que o fato de eu nem chegar a ter ido ilustra muita coisa. A pequena-burguesia, essas pessoas meio ricas, meio cultas e completamente acomodadas, podem ser caracterizadas essencialmente pela expressão "deixe quieto".
Isso não significa, é claro, que as pessoas devem sair por aí resolvendo todos seus problemas até não tiverem mais energia para nada. A verdade é que não sabemos dialogar. Não sabemos e nem queremos.
Porque é o mais cômodo.
Talvez as grandes lutas por igualdade e liberdade, sejam na verdade, um emaranhado de pequenos diálogos, claros e sinceros.
Mais que a comodidade, a pequena burguesia é dotada de orgulhos-bestas.

Saudações aos diálogos radicais

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