sábado, 1 de janeiro de 2011

De volta ao meu mundo?


Primeiro post de 2011, no primeiro dia desde que voltei ao Brasil, em que posso realmente descansar sem me preocupar com o que fazer.


As aventuras foram muitas até chegar aqui. Foram muitos os caminhos e descaminhos percorridos, logo após retornar de Cafayate vi que todos no apartamento do 10° andar da rua 9 de julio começavam a pensar na volta aos seus lugares de origem. Foram algumas noites em que as lágrimas das saudades futuras, dividiam espaço com o alcool que aliviava a dor das distancias. Logo todos iriam se separar, mas antes tínhamos mais uma missão (eu e Fernandão). Conhecer a Bolívia e o Peru, ou mais especificamente o Machu Picchu. Eu ainda enrolado com as últimas provas fui abordado nesse período pela nossa companheira galega, que já tinha montado uma rota com o seu companheiro de casa, Gabriel (outro brasileiro, futuro arquiteto) que contemplava as pretensões minhas e do Fernando.


Assim partimos juntos rumo a fronteira da Argentina com a Bolívia, junto da outra "equipe" nossos queridos, Glauber, Liana, Camila e Ana. Eles porém tomariam uma rota diferente parando em algumas cidades da provincia de Jujuy antes de chegar ao país do Evo. Nossa equipe (alfa) chegou a La Quiaca e logo nos encaminhamos ponte para atravessar a frontera dos dois países a pé. Nosso tempo era contado e fomos direto para a estação de trem, dalí tomariamos a locomotiva para Uyuni, nossa primeira parada na Bolívia.


Na pequena e turística cidade de Uyuni encontraríamos uma fórmula muito utilizada naquele país, a da cidade com pouca infraestrutura e com uma forma de turismo precário que agrada a "gringos" aventureiros. Pequena e cheia de lojas com artesanato, onde a população se comunica com os visitantes pela expressão "amigo". A maioria das pessoas está ciente da importância do turismo para a economia local. E por isso também, se você é turista a chance de ser bem tratado é grande.

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O explêndido e o absurdo se misturam de maneira irônica nesse país, algumas das mais belas paisagens que eu já vi convivem com os exemplos mais assustadores da miséria, fruto do sistema capitalista. A riqueza cultural dos incas e dos povos pré-incaicos é com certeza inestimável, mas ela só é valorizada quando convém. Convém às grandes corporações a criminalização da coca, planta utilizada entre outras coisas para a produção de cocaína e coca-cola.

Apesar das gigantescas dificuldades econômicas e sociais que o país vive, é inegável que os bolivianos possuem uma das constituições mais progressistas do nosso tempo, assumindo para a nação valores incas, o cuidado com a natureza fundado no culto a Pachamama, o respeito e a verdade acima de tudo. Chamar Evo Morales de comunista é no mínimo reducionista, ciente de sua luta o presidente começa a pagar uma dívida histórica aos povos originários bolivianos e assim começa a se erguer a nação onde descansam muitas maravilhas naturais.

Entre elas o próprio Salar.

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