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O fim do mês das mães me deixa uma sensação de renovação. Me deu um ano a mais de vida, e levou a minha querida abuela (avó em espanhol). É nisso que tenho pensado a muito tempo, como descrever e escrever sobre a vida dessa mulher, que para mim é uma metáfora tal qual a de Garcia Marques na belíssima obra em que descreve entre outros a trajetória de uma família latino-americana. Minha avó, mãe do meu pai, vivia com meus primos em Porto Rico, mas ela era da República Dominicana. Sua trajetória descreve a vida de uma mulher batalhadora, mãe solteira de muitos filhos, mãe dos seus netos também, e ainda de uma mulher negra no capitalismo. Para alguns essa última informação talvez não represente nada, para outros talvez, seja mais fácil se solidarizar com o significante histórico que isso representa.
Além de ser para mim um exemplo de amor, ela é um exemplo de luta e religiosidade. Digo isso porque as esferas da política e da religião não estão separadas (ao meu ver, e em oposição ao clássico da sociologia Max Weber e sua visão neokantiana). Mais de uma vez minha avó demonstrou que sua disciplina se fez não só por sua condição socioeconômica, mas pela fé que tinha numa bonança futura. Meu pai e meu tio são exemplos de seu amor, que muitas vezes foi repreensivo para evitar decepções futuras. O político aí se dá na siginificação que sua trajetória tem, o que produziu socialmente. Ainda que tenha ido em condições precárias de vida, tinha uma postura de realeza e sabedoria até os últimos dias, e até seus últimos dias expressou sua fé, como uma Ave Maria Cheia de Graça.
Uma Maria da realidade latina, uma mãe de muitos filhos, e mulher de muitos homens, mas íntegra no seu amor e na sua fé. Ferida pelas ilusões de um sistema que a prendeu a condições de classe e que pela sua cor herdou a persistência do continente africano. Persitência daqueles que, estando na África ou na América do Sul , insistem em sorrir e continuar a lutar.
Fica o meu lamento pela morte, e agradecimento pela vida de Altagracia Lacay.
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2 comentários:
Seu blog realmente acrescenta alguma coisa na cabeça de quem lê, parabéns, e nunca deixe de escrever :)
Eu entendo meu bem seu dor. Eu Nao conheci bem ela, mas conheci bem um de seus filhos. Conheci faz muito tempo a sua historia. Eu só posso disser : Ela foi uma mulher corajosa na vida. Corajosa para lutar com a vida mesma. Que ela descanse em paz.
A Xaquie.
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