... mesmo que ela não saiba.
Inspirado por esse trecho de um poema de Ferreira Gullar, eu busquei o samba, forma de arte com a qual mais me indentifico, antes Cartola e agora, enquanto escrevo, Lupicínio Rodrigues. O que me mais me encanta nessas músicas é como coisas tristes podem ser tão bonitas. Músicas de um tempo onde os sentimentos criavam raízes nas pessoas, e essas raízes, laços profundos entre amantes. Laços que quando rompidos, geravam um estado de tristeza tão verdadeiro e profundo e ao mesmo tempo tão característico de uma música que tem sua origem nas senzalas, e a palavra saudade que marca todo um gênero musical. Não que eu esteja triste, mas como sempre em dúvida sobre as coisas da minha vida, e todavia tão certo do prazer que essa música me dá, e da identificação com o modo de vida que ela prega, que o que não faz sentido nunca, são as minhas origens. Um rapaz de classe média, uma bossa nova praticamente, se não fossem meus parentes dominicanos e porto-riquenhos, de classe média-baixa. Ritmos africanos que respiram no meu sangue batem junto com o meu coração.
Essa arte que me diz, canta a saudade dos tempos não vividos, mas canta também novos tempos numa esperança cristã, num paradigma alternativo.
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