terça-feira, 18 de maio de 2010

O instinto coletivo e a cultura popular


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Tive a oportunidade de presenciar nesse fim de semana uma apresentação de Boi de Mamão, em Florianópolis, essa é uma dança popular da região litorânea de Santa Catarina, na qual se representa a morte e ressureição de um boi. O mais interessante, é que eu vi essa apresentação na Associação do Bairro Pantanal, no evento de Alusão a Abolição feita pelo grupo de capoeira Angola Palmares, logo após uma feijoada que foi servida no mesmo evento. Esses momentos foram muito interessantes pra mim (como sociólogo) pois me permitiram experimentar um espaço de diálogo intenso entre culturas populares.


De um lado a capoeira como a luta de escravos libertos e não-libertos (no filme "Besouro" está retratada a história de um dos maiores capoeiristas do Brasil, logo após a Lei Áurea ser sancionada), que depois foi chamada de dança para enganar aqueles que a consideravam um crime. E de outro o Boi-de-Mamão como a expressão das relações presentes no dia-a-dia, e no imaginário do sertanejo e que são também expressão da mescla cultural entre portugueses e indigenas(povos autóctones), uma vez que os animais tinham papeís importantes na encenação, e no entanto se sabe que essa idéia de encenar histórias era muito comum nas procissões portuguesas. Foi um belo fechamento para um fim de semana no qual os vários sambas que eu cantei e toquei tiveram um significado especial para mim (como sempre o têm) que é a forma de protestar e louvar memórias e culturas que se originaram dos contatos entre africanos, portugueses e indios. E é claro privilegiar aquelas culturas que se chama de mais "rústicas" e que na verdade são incompreensíveis a olhares ocidentais.

O Samba, a Capoeira e o Boi-de-Mamão são não só formas de expressão, como a expressão de diferentes formas de pensar, "alter paradigmas" ou paradigmas do outro, eu diria. São formas de resistência aos centros de poder, que produzem conhecimentos compartimentalizados e ao mesmo tempo individualizantes.

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