Ultimamente tenho pensado muito sobre o meu curso e o que eu e meus colegas temos em comum. Encontrei alguns aspectos interessantes e vou compartilhá-los com vocês.
No meu grupo de amigos mais próximos, a heterogeneidade é grande em termos ideológicos, um é extrema direita, um é comunista (não de esquerda), eu sou de esquerda, outro de direita, e por fim tem um que se considera “centro cagão”. O que diabos trouxe esse pessoal tão diferente, para um mesmo curso e os levou a se tornarem grandes amigos? Pensei muito e conversei até com alguns calouros e veteranos sobre como eles eram em suas ocupações anteriores ao curso. Eu, por exemplo, apesar de ser um sujeito muito coeso com a instituição onde eu estudava, já não suportava os diálogos e a maior parte das pessoas que estudavam comigo. Não era uma questão de briga, ou ódio, aparte de o Terceiro ano ser estressante pelo vestibular, eu não me sentia parte daquele grupo (como um todo). Portanto entrei no curso disfarçando minhas raízes pequeno-burguesas, com medo do que meus colegas fossem pensar ou dizer, e falar sobre religião então nem pensar…
Um calouro que tem origens parecidas com as minhas (colégio de classe média alta católico), parece que reproduziu as mesmas atitudes que eu quando conversávamos sobre quem e como ele era antes. Ele me contou também sobre a sua insatifação com o lugar de onde tinha vindo, e com as pessoas com as quais convivía. A sensação de estar deslocado com a sua realidade parece um fator comum a todos que entram no curso, estrangeiros em sua própria terra, falando uma língua que ninguém entende.
Essa sensação nos acompanha o curso inteiro, ela faz parte do exercício da sociologia, desconfiar não só das respostas, mas principalmente das perguntas. Quem fica, aprende que isso é um instrumento, quem sai do curso, ou não consegue viver com as interrogações, ou não se contenta com as poucas respostas e desacredita do social. E ainda tem aqueles que ficam, ignoram as perguntas e fazem pseudo-ciência.
Um comentário:
ignore a pseudo-ciência, vamos criar livros, músicas e essas coisas ai... Política se faz com muita calma.
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