segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sobre os limites da vida em sociedade


"190km/h é crime" Dizia o adesivo, enquanto o carro passava a pelo menos mais de 70 km/h, numa via aonde se lia 30km em letras gigantescas no chão. E eu que estava muito tranquilo, ao ver aquilo me indignei. Me indignei com a indignidade da nossa classe média. A pompa, a presunção e a insolência caminham lado a lado pelas ruas do Batel, pelos condomínios fechados do Tingui e pelas belas casas do Barigui.


"Uma sociedade tem os políticos que merece" , Disso eu não tenho plena certeza, e é uma hipótese ainda (não que eu tenha conhecimento) não testada pela ciência política. Mas uma coisa é certa, até que ponto temos a "envergadura moral" (me utilizo de uma expressão criada por um humorista)de pedir pela justiça e pela paz no trânsito, quando nem justos e nem pacíficos somos quando ao volante. Somos a sociedade dos advogados que burlam a lei, dos médicos de péssima saúde, dos economistas endividados, dos políticos que roubam ... E somos por isso também , seres humanos. Passíveis de perdão diria Jesus, quando sincero o arrependimento. Mas segundo o mesmo, submetidos às nossas próprias leis ( "a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César"). Thomas Hobbes nos lembra que o homem é o lobo de si mesmo, e para evitar a barbárie é que existe o Estado, é para isso que existem as leis.


Portanto, que a inegável irresponsabilidade do deputado Ribas Carli Filho seja devidamente julgada, pela lei, enquanto que aos vigilantes da moral e dos bons costumes, que policiem a si mesmos antes de atirar a primeira pedra.


"O Inferno são os outros"
Jean Paul Sartre


Às irresponsabilidades mortais dos seres humanos.

sábado, 16 de maio de 2009

Flores no deserto

E ainda que muita coisa esteja ocorrendo de bom, na minha vida, existem algumas questões que me inquietam muito, ainda.
No estudo da sociedade, ainda há, na minha opinião,uma lacuna a ser preenchida. Essa lacuna se refere aos impulsos humanos mais íntimos e ao entendimento das nossas escolhas. Particularmente esse é um objeto que me fascina, principalmente quando transposto à política. Que é , queira ou não queira, a dimensão especialmente direcionada ao conflito, dentro das diversas nuances do social. O entendimento dos impulsos de efeito social, ao meu ver, têm ao mesmo tempo uma origem psiciologica e sociológica. E em termos mais gerais possui uma origem antropológica. Ou seja, o que se cultua, o que se representa em determinado espaço e tempo, é fruto de relações de "micropoder" que se estabelecem nas ramificações de uma sociedade complexa.
Essa semana decidi que essa será a problemática que vai orientar meus estudos, o caráter antropológico das relações politicas.

Presenciei o desmascaramento de alguns integrantes do centro acadêmico do qual participo (CACS) e devo dizer que como colega de trabalho, fico triste pela saída de uns e pela permanência de outros. O status quo dentro de um curso de Ciências Sociais é diferente, mas cumpre as mesmas funções que em qualquer outro lugar. Me resta erguer a cabeça e procurar manter a integridade nesse espaço de puro conflito.

Entendi por fim que os amigos que tenho são como flores num deserto, cercadas por uma areia social tão árida, mas ainda assim são tão belas e cheias de vida. Tanto os antigos amigos (do colégio) como os novos (da faculdade) têm me mostrado provas de fidelidade constantes, além da clara nobreza dos seus corações.

E para terminar deixo aqui uma menção aos meus pais, ausentes a uma semana já. As suas preocupações com a vida em geral, me tornaram um amante da vida humana, independente de crenças e principalmente dogmas, eu agradeço a eles, principalmente, pela inquietude.

Muitos desafios ainda estão por vir, que o outono, prelúdio do inverno, amadureça nossas folhas da sabedoria.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pra quem gosta de poema e também de rimar

Aproveito a oportunidade de escrever um dia antes do meu aniversário (5 de maio) e coloco aqui um poema feito recentemente por mim, espero que agrade a quem me conhece e a quem não me conhece, mas que acima de tudo signifique alguma coisa para cada leitor.

Auto-Retrato

Ando meio dionisíaco
E confundindo as medidas
Às bebidas.
Por isso hoje, me fecho para balanço,
E danço a melodia
Da minha batida,
No ritmo que eu quero.
Às vezes teimoso para ouvir,
Às vezes tímido para falar,
Esse quem escreve
Sou eu.

Completando meu vigésimo outono
Tudo parece ótimo.
Só que nada me satisfaz,
Graças à Deus
Nada me satisfaz.

Quem sou eu ?
Eu sou meu pai,
Uma palavra marítima.
Eu sou minha mãe,
Uma palavra de ordem.
Eu sou meu irmão,
Uma palavra de sangue.
Eu sou minha vó,
Uma palavra de amor.

Mas de repente,
É poética o que me falta!
Onde estavam aqueles versos rebuscados ?
Aquela rima,
Aquela harmonia ?
Aquela pequena ironia...

Se bem quem há em mim outras qualidades.
Nunca fui o pior nos esportes,
Com as meninas, quem sabe algum sucesso (se é que isso é realmente necessário).
Minha "carreira" política é marcada por algumas alegrias,
Apesar de ter ocorrido em lugares onde reinam,
E eu sei que reinam,
Algumas boas hipocrisias!
E ainda há a música,
Uma cartela que não está completa,
Com alguns espaços meio preenchidos,
O do pandeiro e o do violão, por exemplo.
Mas se não sou poeta,
Nem esportista,
Nem malandro,
Nem político,
E nem músico,
O que será que sou ?

Sou um amante, amante da vida.
Sou também um menino.
Não sei se bom menino,
Mas com certeza bom amante.
Ainda não chego aos pés de Jesus,
Ainda,
Mas ele morreu com trinta.
E eu tenho tempo,
Ainda.

No meu dia-a-dia?
Muita correria!
Posso dizer também, que muita alegria.
Alegria tanta que até rima.
Peteca, bicicleta, biblioteca.
Samba e Corda-bamba.
Livros e amigos.
Escalada e estudada.
Trabalho e ...
(É parece que isso não rima muito não!)

Enfim, esse é meu auto-retrato,
E posso afirmar,
Com alguma certeza
Que as últimas duas décadas têm sido bem divertidas!
E o que me espera nas próximas décadas?
Só Deus sabe...
Esse menino que aqui vos fala,
Agradece sempre que pode,
Cada minuto,
Cada segundo,
Cada milésimo,
A presença daqueles atores/sujeitos
Da sua vida.