Decidi. Vou colocar algumas coisas que ficaram por serem ditas do mês de setembro que de certa forma estão acontecendo ainda. Por isso um post em partes (também pela correria que tá a minha vida).
Setembro chuvoso. Sim Cê tem bruchov! (piadinha de mal gosto)
Mal gosto ou não esse fato acabou atrapalhando as atividades dedicadas ao mês dos transportes alternativos (leia-se bicicleta). E eu como um usuário destes me senti prejudicado em alguns dias desse mês. Enfim tantas lutas por uma vida melhor (para todos) e eu participo desta também. Só que a chuva sem querer colocou algumas interrogações na minha cabeça. E essas começaram a querer sair num dia bem chuvoso, mais especificamente dia 22 de setembro, também conhecido como o dia sem carro.
Foi um dia chuvoso como outro qualquer, deixei minha bike em casa e fui a pé pra aula e pro trabalho. Graças ao convite do meu grande amigo Artur, depois do trabalho fui ainda numa palestra de um teórico marxista... No caminho da palestra passei pela reitoria (ainda debaixo de chuva) e vi a concentração daqueles que estavam na marcha das bicicletas. Enquanto atravessava aquele mar de bicicletas, me perguntava, "será que esse pessoal não tem o que fazer? " e ao mesmo tempo me admirava a variedade de modelos de bicicletas e ciclistas, alguns dignos de menção: O esportista(que vê tudo aquilo como um treino divertido), o alternativo 1 (que não é tão alternativo, mas acha que tá contribuindo para evitar o efeito estufa, usa a bike como desculpa pois se pudesse teria um carro), o alternativo 2 (esse já está convicto da causa, é anarquista, anti-capitalista e contra todo tipo de preconceito, sua bike é equipada com bagageiro, amortecedor e cambio gringos) e o tipo estranho (que faz pairar uma duvida, quem é mais estranho a bike ou o dono?) .
Obviamente não eram todos que estavam ali que seguiam esses "modelos", eu mesmo se a chuva não estivesse caindo naquele momento, participaria numa boa da bicicletada. É uma reinvidicação legítima da minha classe social, um claro pequeno-burguesismo. Assim como o é ( e eu me coloco a disposição de ouvir quem quiser me provar o contrário) a ideologia anarquista. Muitos levam a sério a discussão das bicicletas e eu considero isso importante, porém mais importante ainda é levar a sério a questão da qualidade de vida dos "servos/escravos/proletários" do nosso dia-a-dia. O que me preocupa é a indolência na hora de resolver os problemas de quem tem menos formação e representação para a/na política. Talvez se a cada carro a menos na cidade nós tivéssemos mais pessoas da sociedade civil envolvidas na garantia dos direitos básicos em plenitude para todos, talvez não teríamos de saber que vidas estão tendo seu valor medido pelo calibre de uma bala. Eaí meus queridos, mediríamos a força e a abrangência do movimento das bicicletas, pelo número de chacinas que este evitaría.
2 comentários:
Como disse Andrey, fico no aguardo pela segunda parte.
Beijos
O problema, ao meu ver,é fragmentar as discussões, como se as "coisas" ocorressem fragmentariamente na realidade. Coisa, aliás, que a direita brasileira adora. Aparta, por exemplo, a discussão do meio ambiente, da discussão do nosso modo de produção em geral; da discussão em relação ao nossos meios de transporte; e, como destacado no post, as relações e implicações de tudo isso para aqueles que menos tem/possuem. Enfim, é uma pena! Enquanto discutirmos por partes, teremos partes de respostas para os problemas!
Por que o prefeito não participou da bicicletada? Nem os donos de empresa de ônibus? Aliás, por que eles não pegam o "busão" de manhã cedo?
abraços
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