
Tomo hoje este espaço como um treino para meus estudos, e o aproveito para praticar um pouco de sociologia.
A breve análise que Jurgen Harbemas faz no seu texto "A Técnica e a Ciência como Ideologia" nos permite repensar algumas questões da realidade brasileira.
É louvável a forma como o autor faz uma retrospectiva histórica dos fatores sócio-científicos, que, como o mesmo demontra, a partir do controle dos processos naturais, levaram a formação de uma ideologia. Essa tem como retórica a destituição de sentido das etapas constituintes dos processos científicos. Ou seja a idéia que se é possível fazer ciência sem sentido ideológico.
O que me parece, porém, deixado de lado na análise do autor Frankfurtiano, é a consequência que essa ideologia de reificação do homem teve nos países ditos de "terceiro mundo" ou em desenvolvimento.A meu ver essa questão ( a onda tecnocrática) influenciou, em particular, a atuação dos militares durante a ditadura brasileira, e além disso contribuiu para a deformação de alguns aspectos sociais do Brasil nos anos 60 , 70 e começo de 80. Pegando o caso de Curitiba nota-se uma supervalorização dos técnicos, e em termos de planejamento urbano ficou clara a opção de se fazer uma cidade que privilegie as classes média-alta e alta. A desideologização da política na cidade foi tão grande que essa forma de planejamento vigora até hoje, e é reproduzida nos partidos políticos que nela atuam. Arquitetos e engenheiros de classe média criaram o mito da urbanização em Curitiba, que na realidade era um aglomerado de projetos feitos a seu bel-prazer. Nota-se até hoje como a cidade é estruturalmente marginalizadora. Algumas das consequências visíveis são desvalorização da cultura negra da cidade, a priorização dos automóveis como meios de transporte e a manutenção de um mesmo grupo político por mais de 30 anos.
Habermas diz :" A solução de tarefas técnicas não depende de discussão pública. Discussões públicas poderiam, antes , problematizar as condições de contorno do sistema, dentro das quais as tarefas de atividade do Estado se apresentam como técnicas."
Talvez essa ideologia, que se fez a partir da mescla da racionalidade científica com a efervecência social da religão, não esteja tão forte quanto antes, porém as consequências da sua existência são sentidas hoje por aqueles que têm suas necessidades mais básicas furtadas. Tudo por um simples cálculo racional de gastos.
Talvez seja a hora de pararmos de querer controlar a natureza.
Talvez seja a hora de controlarmos a nossa própria natureza devastadora.
Um comentário:
Boa reflexão. diana Lima
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