Primeira postagem do ano, esse com certeza será um ano diferente do que passou, mas que levará consigo algumas marcas, digo isso tanto no ponto de vista pessoal, como no ponto de vista geral. Outras marcas já estão aí faz algum tempo, e é dessas marcas que eu gostaria de refletir um pouco sobre, neste post.
Eu, apesar dos pesares, não me considero o tipo de cara que está sempre informado das noticias, dos fatos que ocorrem no mundo, o que também não quer dizer que me alieno completamente. O que quero dizer é que não é sempre que reservo um tempo para ler notícias no jornal (o que admito que é uma falta grave para um futuro sociólogo). Existem porém algumas coisas que me fazem prestar mais atenção aos meios de comunicação de massa. Em geral guerras e eleições são os principais (ou melhor dizendo as questões políticas em si).
Nos últimos dias tenho acompanhado as notícias sobre um velho conflito étnico que foi reiniciado. Estou falando da Guerra judaico-palestina pelo território da Faixa de Gaza. Para quem não sabe, esse território é sagrado para ambas as religiões que permeiam essas etnias (Judaísmo e Islamismo). Sabemos entretanto, que o que reavivou o conflito no final de 2008, são razões extra-religiosas e étnicas, que ao meu ver são muito mais políticas e ideológicas, quem sabe até possa se parafrasear Boaventura de Souza Santos quanto à Razão Indolente dos países do Norte, e dizer que o que estamos vendo é o cúmulo deste tipo de razão. Digo "sabemos", porque é em veículos da mídia de massa, a maior produtora do medo sistêmico nas pessoas, que eu me informo a respeito do conflito.
Foi num jornal (e antes disso em uma aula de geografia quando ainda no ensino médio) que me informei da disparidade que há entre os lados, no sentido de poder bélico e pólítico no cenário internacional. Israel de um lado com um exército de 500 mil soldados, fora a população jovem do país que presta serviço militar obrigatório. E do outro lado, os palestinos (ou a nação sem território), que possui o Hamas como força militar com 500 a 5000 soldados (quando estes não são crianças com paus e pedras). O Estado de Israel possui o apoio explícito do promotor mundial da violência e do medo (EUA), que tem claro interesse na terra sagrada, no sentido de obter assim um controle mais próximo de outras possíveis novas potências bélicas, como o Irã.
Não quero aqui tomar partido nessa briga de gato e rato. O ridículo é agora o desumano. Essa guerra que hoje chegou a seu 7° dia ridiculariza orgãos como a ONU, que provavelmente devia estar em algum recesso de fim de ano nos primeiros dias do conflito, pela inércia estúpida que demonstrou. Mais de 500 pessoas, que segundo o Estado de Israel, se encontravam movidas pela "lógica do ódio", foram friamente assasinadas, pela possível ganância de poucos e pela clara ilusão de muitos. Nunca pensei que fosse viver para vivenciar um fato tão vil, tão asqueroso, tão desumano.
E assim começa 2009, pra quem pensou que fosse mudar repentinamente da àgua para o vinho, ainda temos muito o que caminhar.Desejo para todos e todas, um ótimo ano de 2009, com muita paz, amor e saúde, e que nunca nos falte a esperança e a fé na vida.
OBS:Fica aqui também um agradecimento especial para o pessoal de Piraí do Sul que fez o meu final de ano mais amoroso (no sentido mais familiar da coisa) , principalmente à família Milléo, que o ano de vocês seja completo de virtudes.
Um comentário:
Se a distância não fosse tão grande não nos sentiríamos tão seguros. Se as notícias não fossem tão tortas não nos sentiríamos tão cientes. Se o horror não fosse tão grande, e se o tempo não fosse tão curto, se pudéssemos olhar nos olhos das crianças (quase um terço dos 'terroristas' assassinados), talvez, quem sabe, a distância e o tempo perdessem importância. Mas nada disso acontece e o mundo dos de cima, mais uma vez, "sorri em silêncio" diante da chacina.
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