Este foi um fim de semana atípico. Uma loucura atrás da outra, e pouca importância com planos e combinações. As vezes a vida nos surpreende , surpreende aqueles que vivem o real até a última gota. Surpreende aqueles que não vêem graça no que é material.
Em momentos de profunda embriaguez é que nós realmente nos enxergamos não como somos, ou como deveríamos ser, mas sim como não devemos ser. O olhar baixo, um leve sorriso de quem acha que tudo está em perfeita harmonia e a delicadeza de um elefante. Esse não é um manifesto anti-alcool, mas é o princípio de uma reflexão. Até que ponto nós devemos não-ser , aquilo o que queremos ser, ou aquilo que realmente somos.
Talvez, devido a carga de correria, trabalho, estudo, problemas com amigos, problemas com família e preocupações com o centro acadêmico do meu curso , algum ente divino me concedeu esse fim de semana com noites de interminável descaso. E esse descaso, que é fácil , é aliviador, nos permite evitar aquilo que nos incomoda e que nos embebe de um cego prazer que inexiste em si.
Talvez é esse descaso, do caminho que eu abandonei a alguns anos, precise ser vivenciado, justamente pra lembrar que a vida é muito mais que isso. Talvez acreditar que se ter uma visão mais crítica da sociedade seja o primeiro passo pra solucionar nossos problemas, é uma ilusão. Mas eu prefiro acreditar que o caminho mais fácil (menos crítico e mais passivo), o caminho do descaso, é o caminho que te levará a um labirinto, ou a uma prisão de sonhos e idéias, é o caminho portanto da caverna (sim a caverna de platão).
Este post então, eu dedico a minha luta, a minha paixão a tudo aquilo que torna as coisas mais completas, e portanto melhores.
2 comentários:
Poucas vezes na minha vida me senti tão mal, quanto me senti neste final de semana atípico. Mas um mal que ensina, faz refletir, e quem sabe mudar. Eu enquanto estava no assombrado labirinto, me senti pequeno, solitário e com medo. Medo de que as pessoas soubessem do meu fracasso, das minhas carências e das minhas vontades. Um medo de sentir coisas inusitadas, e não saber como reagir. Talvez as sensações sejam diferentes de organismo para organismo, fazendo com que eu não pudesse vivenciar as mesmas. É como se um sociólogo tentasse explicar a um professor de Educação Física, como é interessante, para ele, observar as pessoas.
Após passar todo este mal-estar, o melhor a fazer é parar e refletir. Será que o caminho mais fácil é o melhor a seguir ou será que existem outros caminhos que estão escancarados à nossa frente, mas não queremos seguir por algum motivo. Quem sabe a preguiça, a indiferença e tantos outros sentimentos que o cotidiano nos traz.
Peço desculpas se fui careta, chato, cabeça dura, mas algo divino assim como nos concedeu a oportunidade, também me concedeu o discernimento para não arriscar.
Um abraço, Andrey.
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