quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O agasalho da campanha

Às 2h00 da madrugada, um grupo de quatro jovens, corre pela ruaXV próximo à boca maldita. É espantosa a pressa desses meninos, aonde vão? quem irão encontrar?
Bom meus amigos, é só mais um grupo de jovens de classe média alta buscando um bar aberto , numa quarta feira qualquer. O motivo da pressa? É o frio ! E dessa cena eles só são os coadjuvantes. Porque logo junto a entrada de um banco está um homem dormindo, mas não é qualquer homem.É o João, o José, o Pedro é ,como qualquer outro, um igual perante à lei. E ele é igual em todos os aspectos biológicos, só que naquele momento, naquele lugar, ele era um homem com muito frio e com apenas uma fina coberta para lhe proteger.
Por quê?
Porque esse homem simplismente concretiza uma idéia de não-cidadão, o ser que é desconsiderado até pelas formas marginalização e criminalização. É um ser que não existe, ou que não é, ele simplesmente está...
Está no chão , está pedindo dinheiro, está passando fome , está além da margem que separa pobres e ricos. É um corpo estranho na sociedade.É um corpo estranho. É estranho.
Os não-cidadãos, não são considerados nem nas ações políticas, nem nas religiosas e muito menos nas jurídicas.
Quanto aos quatro jovens, eles têm o poder , em quanto cidadãos, de transformar essa situção. Eles não só tem o poder, como a responsabilidade de garantir a ida ao bar ou pelo menos a um mínimo de cidadania aos corpos estranhos à sociedade. São responsáveis, estes jovens, não porque têm a culpa de terem nascido ricos,mas justamente para que a sua diversão não esteja apoiada no sofrimento alheio.
Dentre muitas de suas causas, essa desigualdade tem essencialmente um fundo político e é fruto da seriedade com a qual uma população encara os processos politicos que se dão em sua cidade. Será que nessas eleições haverá alguma verdadeira campanha do agasalho para essa massa de não cidadãos ? Ou assistiremos mais uma vez o agasalho das campanhas aquecer as contas bancárias de nossos tão estimados representantes?
O voto , o poder e a responsabilidade, são de cada um de nós.

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